Quantos óvulos congelar para tentar engravidar?

Quantos óvulos congelar para tentar engravidar?

Índice
Tempo de leitura: 5 minutos

A pergunta sobre quantos óvulos congelar costuma surgir antes mesmo do início dos exames. Ela carrega uma expectativa legítima: transformar uma decisão tomada no presente em uma possibilidade real de gestação no futuro. Mas não existe um único número adequado para todas as mulheres. A recomendação depende, principalmente, da idade no momento da coleta, da reserva ovariana, da qualidade dos óvulos e do projeto familiar de cada pessoa.

O congelamento de óvulos é uma forma de preservar a fertilidade, não uma garantia de gravidez. Ainda assim, quando indicado e planejado com acompanhamento especializado, pode oferecer mais autonomia e tempo para decisões afetivas, profissionais, pessoais ou médicas. Com informação clara e um plano individualizado, é possível tomar essa decisão com mais segurança e serenidade.

Quantos óvulos congelar para ter uma boa chance?

De forma geral, muitos especialistas trabalham com a meta de obter entre 15 e 20 óvulos maduros para aumentar a chance de, no futuro, conseguir um nascimento. Essa é uma estimativa populacional, não uma promessa individual. Nem todo óvulo coletado estará maduro, nem todo óvulo maduro sobreviverá ao descongelamento, será fertilizado, formará um embrião ou chegará à fase de transferência.

Na fertilização in vitro, existe uma sequência natural de perdas entre a coleta e a formação de um embrião com potencial de implantação. Por isso, olhar apenas para o número total de óvulos pode gerar ansiedade ou uma falsa sensação de segurança. O objetivo clínico é construir uma reserva compatível com a idade e com o desejo de ter um ou mais filhos.

Para uma mulher mais jovem, uma quantidade menor de óvulos pode oferecer uma perspectiva favorável em comparação a uma mulher que realiza o procedimento em idade mais avançada. Isso acontece porque a idade influencia não só a quantidade disponível, mas também a proporção de óvulos geneticamente competentes.

A idade muda a recomendação

A idade é um dos fatores mais relevantes para definir quantos óvulos congelar. A fertilidade feminina diminui progressivamente ao longo dos anos, com uma redução mais perceptível após os 35 anos. Isso não significa que uma gravidez espontânea ou por reprodução assistida seja impossível depois dessa idade. Significa que, em média, pode ser necessário congelar mais óvulos para buscar uma chance semelhante de sucesso.

Em linhas gerais, mulheres com menos de 35 anos podem alcançar uma boa perspectiva ao congelar cerca de 10 a 15 óvulos maduros, especialmente quando o objetivo é uma futura gestação. Entre 35 e 37 anos, a meta frequentemente se aproxima de 15 a 20 óvulos maduros. A partir dos 38 anos, pode ser razoável planejar a coleta de 20 ou mais óvulos maduros, conforme a resposta ovariana e o desejo reprodutivo.

Esses números servem para orientar uma conversa, não para determinar uma conduta automática. Uma paciente de 39 anos com boa reserva ovariana pode ter uma resposta diferente da esperada. Da mesma forma, uma mulher de 32 anos com endometriose, cirurgia ovariana prévia ou baixa reserva pode precisar de uma estratégia particular.

O que significa óvulo maduro?

Nem todos os óvulos aspirados durante a coleta podem ser congelados. Para a vitrificação, técnica de congelamento ultrarrápido utilizada atualmente, o óvulo precisa estar em um estágio específico de maturidade, chamado metáfase II.

É esse óvulo maduro que tem potencial para ser fertilizado no futuro. Por isso, quando se fala em meta de 15 ou 20 óvulos, geralmente a referência é aos óvulos maduros efetivamente vitrificados, e não ao total de folículos visualizados no ultrassom ou de óvulos coletados.

Por que um ciclo pode não ser suficiente?

Cada ciclo de estimulação ovariana tem uma resposta própria. A medicação estimula o desenvolvimento de vários folículos que já estariam disponíveis naquele mês, mas não cria novos óvulos nem aumenta a reserva ovariana. A quantidade obtida depende da idade, da contagem de folículos antrais, dos níveis hormonais, de doenças associadas e da sensibilidade individual aos medicamentos.

Algumas mulheres atingem a meta desejada em um único ciclo. Outras precisam de dois ou mais ciclos para reunir uma quantidade de óvulos mais alinhada ao planejamento familiar. Isso não representa fracasso. É uma característica da biologia reprodutiva e deve ser conversada com transparência desde o início.

Em determinadas situações, o tempo disponível também define a estratégia. Antes de quimioterapia, radioterapia ou cirurgias que possam comprometer a função ovariana, por exemplo, a prioridade é preservar o maior número possível de óvulos sem atrasar de forma inadequada o tratamento principal. Nesses casos, a integração entre a equipe de reprodução humana e a equipe oncológica é fundamental.

Reserva ovariana: o exame que ajuda, mas não responde tudo

A avaliação da reserva ovariana costuma incluir o hormônio antimülleriano, conhecido como AMH, a contagem de folículos antrais por ultrassom e, em alguns casos, outros exames hormonais. Esses dados ajudam a estimar como os ovários podem responder à estimulação.

Uma reserva ovariana reduzida pode sinalizar que será mais difícil obter muitos óvulos em um único ciclo. Porém, ela não mede diretamente a qualidade dos óvulos nem define, sozinha, a possibilidade de gravidez. Mulheres com AMH baixo podem engravidar, e mulheres com uma reserva aparentemente boa também podem enfrentar desafios reprodutivos.

A interpretação precisa considerar o conjunto: idade, histórico menstrual, cirurgias prévias, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, tratamentos médicos em curso e planos para a maternidade. A consulta especializada é o espaço para transformar resultados laboratoriais em decisões que façam sentido para a sua vida.

O desejo de ter mais de um filho faz diferença

Ao decidir quantos óvulos congelar, vale incluir uma pergunta simples, mas decisiva: quantos filhos você imagina desejar? Uma quantidade que pode ser razoável para buscar uma gestação talvez não seja suficiente para dois filhos no futuro.

Se o projeto familiar inclui mais de uma criança, a meta de óvulos tende a ser maior. Também é válido considerar que algumas pessoas podem optar, futuramente, por tentar uma gestação espontânea antes de usar os óvulos congelados. Outras planejam recorrer diretamente à fertilização in vitro por questões clínicas, por não terem parceiro no momento ou por formarem uma família homoafetiva.

Não é necessário ter todas essas respostas definidas para iniciar a conversa. O mais útil é reconhecer as possibilidades e incorporar essa margem de escolha ao planejamento.

Congelar óvulos não é o mesmo que congelar embriões

Óvulos congelados preservam uma possibilidade reprodutiva e oferecem autonomia para decisões futuras sobre parceiro, doação de sêmen ou projeto parental. Já os embriões são formados após a fertilização do óvulo com espermatozoides e, em alguns contextos, podem fornecer informações adicionais sobre o desenvolvimento embrionário.

A escolha entre congelar óvulos ou embriões envolve aspectos médicos, emocionais, éticos e legais. Para algumas pessoas, congelar óvulos faz mais sentido por manter as opções abertas. Para casais com indicação de fertilização in vitro imediata, a criopreservação de embriões pode integrar o tratamento. Não há uma resposta universal: há uma decisão que precisa respeitar o momento, os valores e as condições clínicas de cada paciente.

Como é definido o seu plano de congelamento

O planejamento começa com uma consulta detalhada, seguida por exames de sangue e ultrassom transvaginal. A partir dessa avaliação, o especialista propõe um protocolo de estimulação ovariana, que geralmente envolve aplicações hormonais por cerca de 10 a 12 dias e monitoramento frequente.

Quando os folículos atingem o desenvolvimento esperado, a coleta é realizada em ambiente hospitalar, com sedação. Depois, os óvulos são avaliados no laboratório, e os maduros são vitrificados e armazenados. O processo costuma ser bem tolerado, mas merece orientação individual, especialmente em casos de síndrome dos ovários policísticos, endometriose, doenças clínicas ou risco de hiper-resposta ovariana.

Mais do que perseguir um número, o planejamento deve equilibrar segurança, resposta do organismo, custos, tempo disponível e expectativa realista de resultado. Uma equipe experiente acolhe as dúvidas sem minimizar a complexidade do caminho.

Decidir preservar a fertilidade pode trazer alívio, mas também pode despertar medo de estar fazendo pouco, tarde demais ou sem garantias. Essas emoções são compreensíveis. Conte com uma avaliação cuidadosa para entender suas possibilidades e construir um plano que respeite o seu tempo. Dar vida ao seu sonho começa, muitas vezes, por tomar decisões informadas e gentis com você mesma.

Facebook
Twitter
LinkedIn
O sonho de nossos pacientes também passa a ser nosso e, para torná-lo realidade, não medimos esforços.

Congelamento de Óvulos

Opção para mulheres que não queiram engravidar agora e querem preservar sua fertilidade ou para mulheres que possuem alguma condição médica que possa afetar sua fertilidade futuramente.

Consulta com especialista

  •  Realização de diversos exames para avaliar a resposta que a mulher terá ao estímulo ovariano para a coleta dos óvulos.

Estimulação ovariana e indução da ovulação

  • É feita uma combinação de medicamentos hormonais que ajudam a estimular o crescimento dos folículos que contêm os óvulos nos ovários.

Punção folicular

  • Retirada do líquido contido nos folículos, no qual ficam os óvulos.
  • Feito com o auxílio de uma agulha e de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;

Identificação e seleção dos óvulos

  • No laboratório de embriologia são identificados e selecionados os óvulos maduros e de qualidade para o congelamento.

Congelamento

  • Os óvulos selecionados são rapidamente congelados usando uma técnica chamada de vitrificação, que consiste em imersão em nitrogênio líquido em temperaturas extremamente baixas para preservá-los.

Armazenamento

  • São armazenados em um laboratório de Reprodução, geralmente por tempo indeterminado, até que a mulher esteja pronta para utilizá-los, podendo solicitar o descongelamento e utilizar os óvulos em ciclos de FIV, que é a etapa final do processo.
Agendar Consulta

Relação Sexual Programada (RSP)

Também conhecida como coito programado, ocorre de maneira natural e possui taxas de sucesso mais baixas.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.
  • O hCG provoca o rompimento dos folículos cerca de 36 horas após sua administração.

Tentativas de Gravidez:

  • Orientação ao casal sobre quais serão os dias mais férteis daquele ciclo – que são os dias que eles devem manter as relações sexuais.
  • O espermatozoide sobrevive cerca de 3 dias no sistema reprodutivo feminino e o óvulo cerca de 36h. Portanto, não é necessário estabelecer a hora exata para o coito e sim um período aproximado e muito assertivo.

Conclusão do RSP

  • O teste de gravidez pode ser feito, normalmente, após 14 dias para verificar o sucesso da técnica.

Chances de Sucesso

  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, muito similares às da inseminação artificial (IA).

Recomendação

  • Essa técnica é recomendada no máximo por três ciclos.
  • Após esse período, indicamos a FIV, pois outros fatores podem estar presentes, prejudicando a fertilidade e a FIV oferece mais recursos para superar esses problemas.
Agendar Consulta

Ovodoação – Recepção de Óvulos

Opção para mulheres inférteis, em virtude de baixa qualidade ou baixa reserva de óvulos.

Cadastro

  • Realização do cadastro da receptora no banco internacional de óvulos da Espanha e Argentina.

Scanner Facial

  • Após o cadastro é feita uma análise facial da receptora, onde são avaliados cerca de 12.000 pontos da face para identificar semelhanças com possíveis doadoras com características físicas e compatibilidade sanguínea da receptora.

Avaliação de Critérios

  • O banco de óvulos pode enviar à receptora informações sobre a doadora mais compatível segundo a análise detalhada, após isso, acontece a tomada da decisão para prosseguir com o tratamento proposto.
  • Antes da doação, a doadora é avaliada por uma equipe médica que verifica sua saúde geral, e diversos critérios.

Documentação

  • Após a seleção da doadora, a documentação é preparada para solicitar a vinda dos óvulos adquiridos do banco internacional para o laboratório.

Realização da fiv

  • A FIV é iniciada após a chegada dos óvulos. O processo de FIV envolve a fertilização dos óvulos com os espermatozoides em laboratório e a transferência do embrião resultante para o útero da receptora.
Agendar Consulta

Inseminação Artificial

Desenvolvida para aumentar as chances de gravidez em casos de infertilidade com alteração seminal leve, mulheres com idade até 35 anos e tubas uterinas saudáveis, casal homoafetivo feminino.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios, que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.

  • O óvulo sai do ovário e é capturado pelas tubas uterinas onde pode ser fecundado e posteriormente direcionado para o útero.

Coleta e capacitação seminal

  • O sêmen pode ser do parceiro ou de doador.
  • A coleta é feita no laboratório 02 horas antes da inseminação.

  • O sêmen deve ser analisado previamente e preparado a fim de ser depositado na cavidade uterina.

Inseminação

  • Utilizando um cateter, depositamos o sêmen preparado diretamente na cavidade uterina para facilitar o encontro do óvulo com o espermatozoide.
  • Procedimento é indolor e rápido, não havendo necessidade de repouso.

Conclusão da IA

  • O teste de gravidez é realizado 14 dias após a inseminação.
  • Caso o procedimento não seja bem-sucedido, é avaliado com o casal se é válido fazer uma nova tentativa ou se seguimos para a FIV.

Chances de Sucesso

  • O sucesso da IA depende de alguns fatores como a qualidade dos gametas.
  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, um valor inferior ao da FIV.
Agendar Consulta

Fertilização in vitro

Indicada para a maioria dos casos de infertilidade e apresenta as mais altas taxas de sucesso de gravidez.

Estimulação Ovariana e Indução da Ovulação

  • Preparação do corpo: Feita com medicamentos hormonais para estimular a ovulação e aumentar o crescimento de folículos.
  • Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é administrado o hormônio hCG. Após 35 horas, é realizada a coleta dos óvulos.

Punção Ovariana

  • Retirada dos ovócitos do ovário por meio de uma agulha guiada por ultrassom.
  • O sêmen é coletado no mesmo dia e enviado para separar os melhores espermatozoides e aumentar as chances de fecundação.

Fecundação Dos Óvulos

  • Dentre os espermatozoides coletados é identificado o melhor e colocado dentro de cada óvulo.
  •  Os embriões formados a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozoide são colocados em incubadoras para se desenvolverem. 

Cultivo Embrionário

  • Desenvolvimento do embrião: o embrião é mantido em um meio de cultivo durante um período de 5 dias, até que esteja em uma fase adequada para ser transferido ou congelado.

Transferência Embrionária

  • O embrião é colocado no útero para iniciar o processo de fixação, da mesma forma que acontece na gestação espontânea.
  • É nesse momento que pode haver uma maior ou menor possibilidade de gestação múltipla, podem ser transferidos até três embriões dependendo da idade da mulher.

Conclusão da FIV

  • Confirmação da gravidez: a gravidez é confirmada por meio de teste de sangue.
  • O exame é realizado em 10 dias após a transferência embrionária.
Agendar Consulta