Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.

Transferência de embriões congelados

As técnicas de congelamento (criopreservação) de gametas (óvulos e espermatozoides) e embriões ofereceram novas possibilidades para a reprodução humana assistida, sendo regulamentadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) no intuito de proteger os casais que precisam recorrer a elas para conseguir ter filhos.

Existem duas principais técnicas de congelamento: vitrificação, também denominada congelamento rápido, indicada praticamente em todos os casos atualmente, e congelamento lento, que é pouco indicada hoje pelas menores taxas de sucesso.

Neste texto, vamos falar especificamente sobre a regulamentação da prática de criopreservação de embriões, quando a transferência de embriões congelados pode ser realizada, como é feita e quais são as taxas de sucesso de gravidez pós-descongelamento.

Não trataremos das técnicas de congelamento diretamente. Se quiser saber mais sobre isso, acesse o texto que elaboramos a respeito do assunto.

Regulamentação

O CFM é o órgão, no Brasil, que regulamenta, por meio de resolução, as técnicas de reprodução assistida, assim como todos os procedimentos realizados na área de medicina. As diretrizes são periodicamente atualizadas para contemplar as mudanças sociais e tecnológicas que vão ocorrendo na sociedade.

O CFM determina que:

  1. As clínicas, centros ou serviços podem criopreservar espermatozoides, oócitos, embriões e tecidos gonádicos.
  2. O número total de embriões gerados em laboratório será comunicado aos pacientes para que decidam quantos embriões serão transferidos a fresco, conforme determina esta Resolução. Os excedentes, viáveis, devem ser criopreservados.
  3. No momento da criopreservação, os pacientes devem manifestar sua vontade, por escrito, quanto ao destino a ser dado aos embriões criopreservados em caso de divórcio ou dissolução de união estável, doenças graves ou falecimento de um deles ou de ambos, e quando desejam doá-los.
  4. Os embriões criopreservados com três anos ou mais poderão ser descartados se esta for a vontade expressa dos pacientes.
  5. Os embriões criopreservados e abandonados por três anos ou mais poderão ser descartados.
  6. Embrião abandonado é aquele em que os responsáveis descumpriram o contrato preestabelecido e não foram localizados pela clínica.

Oócito é o termo utilizado para denominar o estágio inicial do desenvolvimento do óvulo.

Os embriões formados na fertilização in vitro (FIV) não podem ser descartados, se viáveis, antes de 3 anos, portanto devem ser obrigatoriamente congelados ou doados. Dessa forma, o casal precisa receber os esclarecimentos relacionados a isso. Tanto o homem como a mulher devem estar cientes de que deverão fazer essa manutenção.

Quando a transferência de embriões congelados pode ser realizada

O congelamento de embriões é realizado principalmente em três situações:

A preservação da fertilidade do casal é garantida pelo CFM. Tanto gametas como embriões podem ser congelados com essa finalidade. A decisão de congelar um ou outro é do casal. Nesse caso, é necessário procurar uma clínica de reprodução assistida e manifestar o desejo de fazer a preservação da fertilidade.

Freeze-all é uma técnica recente que, em alguns casos, aumenta as chances de gravidez em um ciclo de FIV. Trata-se do congelamento de todos os embriões após a fecundação do óvulo pelo espermatozoide no laboratório para transferência ao útero materno em um ciclo menstrual futuro.

O freeze-all é indicado principalmente para pacientes cujo endométrio não está preparado para receber o embrião, havendo grande risco de falha de implantação e consequente fracasso da gravidez.

Os embriões excedentes em um ciclo de FIV são decorrentes da formação de um número de embriões superior ao que a mulher pode receber em um ciclo de FIV. Esses embriões não podem ser descartados. Eles devem ser mantidos em criopreservação por pelo menos três anos ou doados.

Assim determina o CFM como limite do número de embriões a serem transferidos:

Esses limites são baseados em dados de pesquisa que mostram a relação entre a qualidade embrionária e as chances de gravidez. A qualidade dos embriões gerados por um casal mais jovem é melhor que dos embriões gerados por um casal mais velho. Dessa forma, esse limite reduz as chances de gestações múltiplas.

Como é feita a transferência de embriões congelados

Os embriões congelados são sempre utilizados em ciclos de FIV, única técnica de reprodução assistida que realiza a fecundação em laboratório. As etapas da FIV são:

Para saber mais sobre a FIV, acesse o texto que elaboramos especificamente sobre o assunto.

A etapa de transferência dos embriões ao útero materno pode ser feita de duas formas: com embriões a fresco (sem terem sido submetidos ao processo de congelamento) ou criopreservados.

A estratégia de transferência é determinada antes do início do ciclo de FIV e depende de alguns fatores.

Se o casal já tiver embriões congelados (preservação da fertilidade), eles serão descongelados e transferidos ao útero materno durante a FIV, após toda a preparação do útero.

Caso a mulher tenha alterações hormonais e o preparo endometrial não seja adequado, pode ser utilizada a técnica de freeze-all. Nesse caso, a FIV ocorre normalmente até o cultivo embrionário, quando são congelados todos os embriões para transferência em ciclo menstrual futuro. Esse intervalo de tempo é importante para o equilíbrio dos níveis hormonais e a preparação adequada do útero para receber embriões.

Quando a mulher estiver preparada do ponto de vista hormonal para receber os embriões, é feito o descongelamento e a transferência. Um exame que pode auxiliar nesse momento é o teste de receptividade endometrial (ERA), que verifica a janela de implantação.

A transferência de embriões congelados também pode ser feita no caso de doação ou utilização futura dos embriões excedentes de um ciclo anterior de FIV. Os casais que já passaram por um ciclo de FIV podem ter gerado um número elevado de embriões, que podem ser utilizados futuramente, evitando nova estimulação ovariana, punção folicular, coleta de espermatozoides e fecundação do óvulo em laboratório. Havendo embriões para a FIV, o processo se torna mais rápido.

Qualquer que seja a situação, a transferência é realizada da mesma forma. A mulher faz a preparação hormonal para receber o embrião. A clínica faz o descongelamento dos embriões e a transferência no momento mais adequado. Dias depois a mulher pode fazer o teste de gravidez para verificar se o procedimento foi bem-sucedido.

Taxas de sucesso de gravidez

As taxas de sucesso de gravidez pós-transferência de embriões congelados são semelhantes às da FIV, aproximadamente 40%.

As taxas de sucesso de gravidez com embriões congelados e embriões transferidos a fresco também são praticamente as mesmas.

Compartilhe:

Faça um comentário

Deixe um comentário

  Se inscrever  
Notificação de
Ciclo menstrual irregular: como engravidar?

Saiba como é possível engravidar mesmo com um ciclo menstrual irregular

Leia +

Contato

Rua do Rócio, 423 - Conjunto 1.406 Vila Olímpia | São Paulo-SP CEP 04552-000

(11) 4750-1170

(11) 99507-9291

Scroll