Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.
Reprodução Humana

Avaliação da reserva ovariana

A reserva ovariana representa a quantidade de folículos (estruturas que contêm os óvulos) presentes nos ovários e é um importante marcador da fertilidade.

Todos os folículos são produzidos ainda durante a vida intrauterina. Após o nascimento, não há produção de folículos e ocorre uma perda progressiva da fertilidade. Quando essa reserva acaba, a mulher deixa de ser fértil e entra na menopausa.

Com o passar do tempo, os óvulos liberados pelos folículos também perdem qualidade, diminuindo as chances de gravidez e aumentando determinados riscos, como o desenvolvimento de alterações genéticas.

A idade de 35 anos é um marco importante na vida da mulher. É a idade em que a fertilidade começa a diminuir mais intensamente e as chances de uma gravidez natural tornam-se menores. Caso a mulher queira preservar a fertilidade, é importante procurar uma clínica de reprodução assistida para que possa congelar seus óvulos, enquanto ainda é jovem, para uso em ciclo de fertilização in vitro (FIV) posteriormente.

Neste texto, vamos falar sobre como avaliar a reserva ovariana e qual sua relação com a reprodução assistida.

Como é feita a avaliação da reserva ovariana

Existem diversos exames com o objetivo de avaliar a reserva ovariana. Os principais são a ultrassonografia transvaginal para contagem de folículos antrais (CFA) e as dosagens hormonais de FSH, LH, estradiol, progesterona e do hormônio antimülleriano (AMH).

Esses exames estimam os parâmetros de fertilidade feminina e oferecem dados importantes para a conduta terapêutica, quando o casal apresenta dificuldade para engravidar. Com a análise desses resultados, é possível estimar a resposta da paciente à estimulação ovariana e propor a melhor forma de tratamento para a infertilidade.

Ultrassonografia para contagem de folículos antrais

A ultrassonografia transvaginal é um dos exames mais indicados para a avaliação dos órgãos pélvicos e pode ser utilizada para realizar a contagem de folículos antrais nos ovários.

O termo “antral” designa um estágio de desenvolvimento inicial do folículo (entre 2 mm e 10 mm de diâmetro) que pode conter um óvulo imaturo, mas com capacidade de se desenvolver e amadurecer. Apenas o óvulo maduro pode ser fertilizado pelo espermatozoide. No ciclo natural, apenas um folículo se desenvolve para gerar um único óvulo.

Durante toda a vida, a mulher produz cerca de 400 folículos ovulatórios. Assim, a contagem desse tipo de folículo no ovário revela a reserva ovariana.

Na avaliação por ultrassonografia, também é verificado o volume ovariano, que diminui com o passar do tempo, em virtude da diminuição da reserva ovariana. Com isso, o potencial reprodutivo da mulher também diminui. Se o volume for inferior a 3 cm3, a mulher pode ter dificuldade para engravidar.

No exame, o número de folículos antrais será proporcional à capacidade reprodutiva da mulher. Quanto maior o número de folículos presentes, maior a fertilidade.

A contagem de folículos antrais está muito relacionada à idade da mulher. De modo geral, com o passar dos anos, a quantidade de folículos antrais diminui. Contudo, em casos excepcionais, há mulheres mais velhas que possuem melhor reserva ovariana do que as jovens. Entretanto, a qualidade desses óvulos é pior.

Também é possível associar a baixa reserva ovariana a tratamentos oncológicos. O tratamento para o câncer afeta diretamente os gametas femininos, aumentando a degeneração e reduzindo a qualidade deles.

A contagem de folículos antrais é feita durante o exame de ultrassonografia transvaginal.

Se quiser saber sobre o procedimento, acesse o texto que elaboramos especificamente sobre esse exame.

Dosagens hormonais

As dosagens hormonais fornecem dados importantes sobre a função ovariana e sobre os parâmetros da fertilidade feminina. O FSH, o LH e o estradiol são hormônios que exercem funções vitais durante o ciclo menstrual e, quando em desequilíbrio, podem reduzir as chances de gravidez. Essa pesquisa hormonal é feita no sangue.

Os níveis de FSH aumentam conforme a mulher se aproxima da menopausa. Portanto, ele é um marcador efetivo da baixa reserva ovariana e, consequentemente, da baixa resposta à estimulação ovariana na FIV. Quanto mais altos forem os níveis de FSH, menor será a possibilidade de sucesso em técnicas de reprodução assistida. Contudo, embora o FSH indique uma baixa reserva ovariana, ele não é um marcador da qualidade dos óvulos. Dessa forma, em alguns casos, mesmo que a reserva ovariana seja baixa, a gravidez é possível.

Os níveis de LH também podem ser marcadores da reserva ovariana. Níveis elevados de LH podem indicar insuficiência dos ovários. Se os níveis de LH forem abaixo do normal, a mulher pode apresentar quadro de anovulação.

O estradiol também auxilia na avaliação da reserva ovariana. Quando em níveis abaixo do normal, pode ser marcador de baixa resposta ovariana, ainda que os níveis de FSH estejam normais.

Hormônio antimülleriano

O hormônio antimülleriano (AMH) é uma glicoproteína produzida pelas células da granulosa que estão presentes nos folículos, principalmente nos pré-antrais e antrais. Se a reserva ovariana for baixa, os níveis de AMH serão baixos. Se houver ainda uma boa reserva ovariana, os níveis de AMH serão altos.

O AMH é detectado durante e após a puberdade, quando a capacidade reprodutiva da mulher está completa. Antes dessa idade ele é indetectável.

Esse também não é um exame com poder preditivo absoluto. Existem diversos fatores que interferem na reserva ovariana e nos níveis hormonais. A análise conjunta dos exames hormonais deve ser considerada para efetuar o diagnóstico. Em alguns casos, níveis altos de AMH não asseguram boa reserva ovariana.

Reserva ovariana e reprodução assistida

A reserva ovariana é fundamental para a reprodução assistida. Baixa reserva indica má resposta aos tratamentos de fertilidade, enquanto boa reserva indica grande chance de sucesso.

A avaliação da reserva ovariana, por essa razão, é um procedimento obrigatório antes do início da reprodução assistida, como forma de prever o prognóstico do tratamento.

Embora existam diversos exames para a avaliação da reserva ovariana, eles não são preditores absolutos de sucesso ou insucesso do tratamento. Não há um exame que seja totalmente confiável. Existe uma combinação de fatores que podem interferir no prognóstico. A análise deve ser ampla.

A avaliação de um especialista é indispensável para a correta interpretação dos dados e orientação da melhor conduta para alcançar a gravidez.

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