Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.

Inseminação artificial (IA)

A inseminação artificial (IA), também conhecida como inseminação intrauterina (IIU), é uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade desenvolvida com o fim de aumentar as chances de gravidez em alguns casos específicos de infertilidade, principalmente causada por fatores ovulatórios.

A IA é considerada de baixa complexidade, porque a fecundação ocorre dentro do corpo da mulher e é um procedimento feito no consultório. Não há manipulação de gametas femininos (óvulos) em laboratório e, em alguns casos, nem de espermatozoides, uma vez que, se houver comprometimento moderado ou grave do sêmen, a IA não é indicada.

A indicação e o tratamento da IA são individualizados. Faço a avaliação de cada caso para propor a melhor conduta. O objetivo da reprodução assistida é a gravidez, portanto todas as técnicas envolvidas são recursos para esse fim.

Se em duas ou três tentativas de IA o casal não conseguir engravidar, indico a fertilização in vitro (FIV), que oferece taxas mais altas de sucesso.

Neste texto, vamos abordar assuntos relativos à IA: como é feita a investigação da infertilidade, a indicação e o procedimento, assim como quais são as taxas de sucesso.

Investigação da infertilidade e indicações

Para determinar se a IA é a técnica mais indicada para o caso, precisamos avaliar a fertilidade, principalmente a masculina.

Os exames de investigação da infertilidade mais importantes para verificar se a IA é a técnica mais adequada para aquele caso é o espermograma e o processamento seminal. Se os parâmetros seminais estiverem adequados, podemos indicar a IA. Caso contrário, a FIV é a melhor indicação.

Na IA, pode ser utilizado sêmen de doador, quando o homem tem diagnóstico de azoospermia e nos casos de produção independente ou de relacionamento homoafetivo feminino.

O aparelho reprodutor feminino oferece obstáculos aos espermatozoides. Como na IA os gametas masculinos são depositados diretamente na cavidade uterina, as chances de fecundação aumentam.

A IA também pode ser indicada para mulheres com problemas ovulatórios, pois a primeira etapa é a estimulação ovariana e indução da ovulação, que aumentam a produção de folículos durante o ciclo menstrual. Mulheres que têm irregularidade na ovulação ou têm anovulação crônica podem engravidar com a IA (caso os parâmetros seminais estejam adequados). No entanto, em qualquer caso de infertilidade, a mulher precisa ter as tubas uterinas pérvias para que os espermatozoides consigam fecundar o óvulo.

Quando não é possível determinar as causas da infertilidade, que caracteriza a infertilidade sem causa aparente (ISCA), a IA também pode ser uma opção de tratamento.

Dessa forma, a IA tem as seguintes indicações:

Se o homem tiver disfunção sexual, ainda assim o sêmen precisa ser de qualidade para que a IA seja indicada. Outra condição é a idade da mulher. A IA não é usualmente indicada para mulheres acima de 38 anos, pois a qualidade dos gametas é pior. Logo, não se pode perder tempo em mulheres com reserva ovariana diminuída para que a gravidez seja concretizada com brevidade.

Ainda assim, geralmente a FIV é um tratamento mais efetivo e pode ser a primeira opção.

Como é feita a IA

A IA é feita em quatro etapas: estimulação ovariana, indução da ovulação, coleta e capacitação do sêmen e a inseminação em si.

Primeira etapa: estimulação ovariana

Algumas mulheres têm distúrbios ovulatórios. Isso significa que os ovários não liberam o óvulo durante o ciclo menstrual para ser fecundado pelo espermatozoide, tornando o casal infértil.

A etapa inicial da IA tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual. Os folículos são as estruturas que crescem dentro dos ovários e contêm os óvulos. A intensidade da estimulação ovariana na IA é menor da que é realizada na FIV, pois os objetivos são diferentes.

Para a estimulação ovariana, prescrevo medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios que vão estimular os ovários a produzirem um número maior de folículos, cada um com apenas um óvulo. O estímulo é acompanhado por ultrassonografias em série porque é necessário identificar o momento em que os folículos atingem 18 mm de diâmetro, quando estão maduros para liberar o óvulo.

Quando a ultrassonografia mostra os folículos em tamanho adequado, fazemos a indução da ovulação.

Segunda etapa: indução da ovulação

Para a mulher ovular (libere o óvulo), os folículos precisam se romper. Para isso, administramos o hCG, outro hormônio fundamental para a fertilidade feminina. É o hCG que provoca o rompimento dos folículos cerca de 36 horas depois de sua administração.

Assim que o hCG tem efeito, o organismo feminino está preparado para a fecundação. O óvulo sai do ovário e começa seu caminho em direção ao útero através das tubas uterinas, onde pode ser fecundado.

Terceira etapa: coleta e capacitação seminal

Existem duas possibilidades de utilização de sêmen. Ele pode ser do parceiro da mulher ou de doador. Em ambos os casos, o sêmen deve ser analisado. Caso tenha algum comprometimento, deve passar por preparo antes de ser depositado na cavidade uterina (inseminação).

Por se tratar de um procedimento simples, a coleta do sêmen do parceiro é feita no laboratório 2 horas antes da inseminação. Esse tempo é suficiente para que o material coletado passe pelo processamento e seja preparado para ser utilizado. Esse processamento seleciona os espermatozoides com melhor motilidade para a inseminação no útero.

Quarta etapa: inseminação

A última etapa da IA é a inseminação em si. Depois que o organismo feminino está preparado para a fecundação e os gametas masculinos estão capacitados para chegar ao óvulo e fecundá-lo, a inseminação é feita.

Utilizando um cateter, o médico deposita o sêmen preparado diretamente na base da cavidade uterina para facilitar o encontro do óvulo com os espermatozoides. O procedimento é indolor e rápido, não havendo a necessidade de repouso.

Conclusão da IA

O teste de gravidez é realizado 14 dias depois da inseminação. É ele que determina o sucesso ou a falha da técnica.

Se o procedimento for bem-sucedido, a mulher passa a fazer o acompanhamento normal de gestante. Caso o procedimento não seja bem-sucedido, avalio com o casal se é válido fazer uma nova tentativa ou se seguimos para a FIV.

Chances de sucesso

O sucesso da IA depende de alguns fatores, como a qualidade dos gametas, mas fica em torno de 18-20% cada tentativa, um valor muito inferior ao da FIV.

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