Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.

Relação sexual programada (RSP)

Quando um casal está com dificuldades de engravidar, é importante procurar auxílio médico. Hoje, existem muitos recursos para superar os problemas de fertilidade e conseguir realizar o sonho da gravidez.

A relação sexual programada (RSP), também conhecida como coito programado, é um desses recursos. É uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade com indicações específicas. É a técnica mais simples que a reprodução humana oferece hoje. Nenhum dos procedimentos é feito em laboratório. Tudo ocorre de maneira natural e as taxas de sucesso, justamente por isso, são as mais baixas.

Consiste, basicamente, na estimulação ovariana e indução da ovulação com medicamentos hormonais para que o casal saiba qual o melhor momento para manter relações sexuais e conseguir a gravidez.

Por ser uma técnica simples, as indicações são bastante limitadas. Para avaliar se a RSP pode ser indicada para determinado caso, é necessário investigar as causas da infertilidade.

Caso em duas ou três tentativas de RSP o casal não consiga engravidar, indico a fertilização in vitro (FIV), que oferece taxas mais altas de sucesso.

Neste texto, vamos explicar como é feita a investigação da infertilidade do casal, quais são as indicações da técnica, como é feita e as taxas de sucesso.

Investigação da infertilidade e indicações

Quando a mulher é jovem (menos de 38 anos) e o casal faz todos os exames relacionados à fertilidade, como espermograma, ultrassonografias, histerossalpingografia, reserva ovariana, dosagens hormonais, ressonância magnética, e não identifica alterações que justificariam o diagnóstico de infertilidade, eles podem tentar inicialmente a RSP.

É importante destacar que, para a realização da técnica, os parâmetros seminais, a reserva ovariana e todo o sistema reprodutor feminino devem estar adequados, sem nenhum tipo de alteração. Caso contrário, a técnica mais indicada é a FIV.

Outra condição que inviabiliza a indicação da técnica é a idade da mulher. Se ela tiver mais de 38 anos, também é indicada a FIV, pois a qualidade dos óvulos cai significativamente e diminui as chances de sucesso da técnica.

Dessa forma, as principais indicações são:

Em qualquer caso, as condições do sistema reprodutor da mulher devem ser boas, pois existem diversos fatores que interferem nas chances de gravidez.

Como é feita a RSP

A RSP é feita em apenas três etapas: estimulação ovariana, indução da ovulação e tentativas de gravidez.

Primeira etapa: estimulação ovariana

A RSP é especialmente efetiva para mulheres que têm distúrbios ovulatórios, inclusive anovulação, que é a ausência de ovulação, pois o objetivo da estimulação ovariana, primeira etapa da RSP, é aumentar a produção de folículos e, assim, de óvulos.

Os folículos são estruturas que se desenvolvem dentro dos ovários e guardam os óvulos (cada folículo contém um único óvulo). A intensidade da estimulação ovariana feita na RSP é mais baixa que a intensidade da realizada na FIV, pois os objetivos são distintos.

Em um ciclo natural, a mulher produz apenas 1 folículo, às vezes nenhum, que pode ser fecundado pelo espermatozoide nas tubas uterinas. Com a estimulação ovariana, a mulher produz de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual, o que aumenta as chances de fecundação.

A estimulação ovariana é feita com medicamentos orais ou injetáveis hormonais que estimulam os ovários a produzirem um número maior de folículos. Esse crescimento é acompanhado por ultrassonografias.

Assim que a ultrassonografia identifica folículos com cerca de 18 mm de diâmetro, tamanho adequado para seu rompimento, é feita a indução da ovulação.

Segunda etapa: indução da ovulação

No ciclo menstrual natural, a ovulação é o rompimento do folículo dominante e liberação do óvulo, que começa seu percurso até o útero através da tuba uterina, onde pode ser fecundado.

Em reprodução assistida, a ovulação é o rompimento de todos os folículos maduros. No caso da RSP, de 1 a 3.

Para que isso ocorra (liberação de todos os óvulos), administramos outro tipo de hormônio na mulher, conhecido como hCG (hormônio gonadotrofina coriônica humana), também essencial para a fertilidade feminina. O hCG provoca o rompimento dos folículos cerca de 36 horas após sua administração.

Terceira etapa: tentativas de gravidez

Como sabemos que o hCG provocará o rompimento dos folículos cerca de 36 horas depois, é possível programar as relações sexuais para momentos próximos da ovulação, daí o nome da técnica: relação sexual programada.

Esse período pode ser programado de acordo com as preferências do casal e o horário não é tão inflexível porque o espermatozoide passa, em média, três dias vivo dentro do sistema reprodutor feminino.

O teste de gravidez pode ser feito normalmente após 14 dias para verificar o sucesso da técnica.

Indico aos casais que tentem no máximo três vezes a técnica. Após esse período, indico a FIV, pois outros fatores podem estar presentes, prejudicando a fertilidade e a FIV oferece mais recursos para superar esses problemas.

Chances de sucesso

As chances de sucesso da RSP são muito parecidas com as da inseminação artificial (IA), que ficam em torno de 18-20% cada tentativa, pois o processo é parecido, embora a IA possa ser indicada para mais casos de infertilidade que a RSP.

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