Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.

Congelamento de óvulos

Cerca de 30% dos casos de infertilidade conjugal são causados por fatores femininos, principalmente por fatores ovulatórios e idade avançada. Com o passar do tempo, os óvulos perdem qualidade e a reserva ovariana diminui, reduzindo as chances de fecundação e de desenvolvimento da gravidez. Dessa forma, o congelamento de óvulos é a melhor alternativa para planejar uma gravidez tardia.

Por muito tempo a ciência buscou desenvolver uma técnica efetiva que oferecesse bons resultados no processo de congelamento e descongelamento de óvulos, espermatozoides, embriões e outros materiais biológicos, principalmente para a preservação da fertilidade.

Atualmente, o método utilizado é denominado vitrificação ou congelamento ultrarrápido, que proporcionou novas possibilidades para a reprodução assistida por apresentar altas taxas de sucesso.

O congelamento de óvulos é indicado no contexto da reprodução humana assistida, uma vez que faz parte obrigatoriamente da técnica de fertilização in vitro (FIV). Ao congelar os óvulos, a mulher deverá passar pela FIV para conseguir a gravidez com os óvulos criopreservados.

Neste texto, vamos abordar especificamente a regulamentação do congelamento de óvulos no Brasil, como é feito o procedimento, quando ele pode ser indicado e as taxas de sucesso.

Regulamentação

No Brasil, o congelamento de óvulos é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão responsável pela atualização das regras e normas éticas no âmbito da medicina, em geral, e da reprodução humana assistida, em específico.

O CFM permite o congelamento ou criopreservação de óvulos por clínicas, centros ou serviços, assim como de sêmen, embriões e tecidos gonádicos (dos ovários ou dos testículos) com a finalidade de preservar a fertilidade.

Qualquer mulher que tenha a intenção de engravidar com idade acima de 35 anos pode recorrer à técnica.

Indicações

O congelamento de óvulos é indicado principalmente para mulheres entre 33 e 37 anos que queiram preservar a fertilidade para um momento futuro. Mulheres com idade superior a 37 anos também podem fazer, mas o resultado geralmente é inferior, pois a quantidade e a qualidade de óvulos são significativamente menores.

O congelamento de óvulos tem vantagens em relação ao congelamento de embriões, cujas regras são mais rígidas. Embriões não podem ser descartados antes de três anos de congelamento, o que não se aplica aos óvulos. No momento da criopreservação, os pacientes devem manifestar sua vontade, por escrito, quanto ao destino a ser dado aos embriões criopreservados em caso de divórcio ou dissolução de união estável, doenças graves ou falecimento de um deles ou de ambos e quando desejam doá-los. Isso também não se aplica ao congelamento de óvulos.

Dessa forma, indica-se a criopreservação de embriões apenas quando, em um ciclo de FIV, há embriões excedentes.

Como é feito o procedimento

A criopreservação de óvulos é feita em clínicas de reprodução assistida. A mulher que considera, por alguma razão, congelar os óvulos deve buscar uma clínica de reprodução assistida.

O procedimento tem algumas etapas:

Consulta com especialista para avaliação da fertilidade da mulher

É fundamental fazer a avaliação da mulher antes da criopreservação. Se ela tiver baixa reserva ovariana ou outros problemas de fertilidade, a técnica poderá não ter bons resultados.

Para isso, a mulher realiza diversos exames, como avaliação da reserva ovariana (ultrassonografia e hormônio antimülleriano) e dos hormônios relacionados à fertilidade, como FSH, LH, entre outros. O objetivo é avaliar a resposta que a mulher terá ao estímulo ovariano para a coleta dos óvulos.

Se as condições não forem favoráveis, o congelamento não é indicado. A mulher precisa produzir um número elevado de óvulos, sendo recomendado armazenar no mínimo 20 óvulos. Durante todo o processo, o número de óvulos pode reduzir. No processo de congelamento e descongelamento, alguns óvulos se tornam inviáveis e nem todos permanecem adequados à fecundação.

Estimulação ovariana e indução da ovulação

Caso a mulher tenha uma reserva ovariana adequada e boas condições de fertilidade, o congelamento pode ser indicado.

Nesse caso, ela passa pelo processo de estimulação ovariana, feito por cerca de 10 dias com medicamentos hormonais, que estimulam os ovários a produzirem uma maior quantidade de folículos que armazenam os óvulos.

Esse crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassonografias. Quando eles atingem cerca de 20 mm, é administrado na mulher o hCG, hormônio que provoca o amadurecimento dos óvulos neles contidos.

Punção folicular

Depois do amadurecimento dos óvulos, a mulher é encaminhada à punção folicular, que é a retirada do líquido folicular (líquido que fica dentro dos folículos e contém o óvulo) por punção, realizada com o auxílio de uma agulha em ambiente cirúrgico, com a paciente anestesiada.  O procedimento é guiado por ultrassonografia, permitindo que o médico aspire o líquido folicular. O procedimento leva cerca de 20 minutos.

O líquido retirado é enviado para o laboratório de embriologia, que identifica e separa os óvulos que têm maturidade e qualidade para serem congelados.

Congelamento

Os óvulos selecionados passam pelo processo de vitrificação ou congelamento ultrarrápido e podem ser mantidos nesse estado por tempo indeterminado.

A vitrificação utiliza nitrogênio líquido à temperatura de 196 oC negativos para manter os óvulos criopreservados.

Quando a mulher decide engravidar, ela pode solicitar o descongelamento e utilizar os óvulos em ciclos de FIV, que é a etapa final do processo.

Taxa de sucesso

O sucesso do congelamento e descongelamento está relacionado ao sucesso da FIV, que fica em torno de 40%, podendo variar, principalmente, de acordo com a idade da mulher (quando congelou os óvulos).

Compartilhe:

Faça um comentário

2
Deixe um comentário

1 Comentar tópicos
1 Respostas do Tópico
0 Seguidores
 
Comentário mais reagido
Tópico de comentário mais quente
2 Autores de comentários
  Se inscrever  
o mais novo mais antigo mais votado
Notificação de
Luana

Quem tem trombofilia pode congelar óvulos, ou não é recomendado pelo uso de hormônios?

Dra. Adriana de Góes

Olá Luana. Sim, quem tem trombofilia pode congelar óvulos normalmente.

Conheça os sintomas de miomas

Miomas uterinos são tumores benignos (não são como o câncer), que geralmente crescem durante a […]

Leia +

Contato

Rua do Rócio, 423 - Conjunto 1.406 Vila Olímpia | São Paulo-SP CEP 04552-000

(11) 4750-1170

(11) 99507-9291

Scroll