Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.

Aborto de repetição

Aborto de repetição

Aborto de repetição é a expressão que define sucessivas interrupções de gravidez sem a mulher conseguir levar uma gestação a termo.

Para entender o aborto de repetição, é importante saber o que é um abortamento:

Quando o abortamento se repete por duas vezes, ele é chamado de aborto de repetição.

Existem diversas causas de abortamento: genéticas, infecções, colo do útero curto, malformações ou alterações na forma do útero, alterações hormonais, alterações no DNA do espermatozoide, fatores imunológicos e trombofilias.

Neste texto, vamos abordar as causas de abortamento e como essa condição é tratada no contexto da reprodução assistida.

Causas de abortamento

São diversas as causas de abortamento e elas devem ser investigadas para que seja possível encontrar uma forma de interromper a série de eventos de perda.

As mulheres podem apresentar problemas psicológicos quando passam por essa experiência, por isso é fundamental avaliar e encaminhar de forma adequada cada caso.

Causas genéticas

As causas genéticas de abortamento são muito frequentes. Se o embrião formado tiver alterações genéticas incompatíveis com o desenvolvimento da vida, o corpo feminino automaticamente o eliminará.

As alterações genéticas ocorrem com maior frequência em óvulos de mulheres com idade acima de 35 anos e são ainda mais evidentes em mulheres com mais de 40 anos. Atualmente, sabemos que os espermatozoides também sofrem alterações conforme o homem envelhece, especialmente a partir dos 50 anos de idade.

Para verificar se o abortamento está sendo provocado por causas genéticas, deve ser feito exame genético em uma amostra do material do aborto.

Se a alteração genética for constatada, a chance de um novo abortamento dependerá da doença identificada.

Infecções femininas

As infecções femininas, na fase inicial de uma gravidez, podem levar a um processo de abortamento.

Por isso, sempre indico à mulher que busque fazer uma avaliação médica ginecológica antes de tentar engravidar. As infecções são perigosas. Além de aumentarem o risco de abortamento, podem levar a malformações no bebê e sequelas após o nascimento.

Colo do útero curto (incompetência istmo-cervical)

Em alguns casos, as mulheres apresentam episódio de aborto espontâneo anterior, sem apresentar muita dor, ou parto prematuro, com dilatação súbita do colo uterino, em período de trabalho de parto prolongado. Isso pode ser um sinal de colo curto e incompetente para segurar a gestação.

Essa alteração é conhecida como incompetência istmo-cervical. Há cirurgia para correção eficaz desse problema, que é denominada cerclagem uterina.

Esse procedimento está indicado quando a medida do colo uterino no primeiro trimestre da gravidez apresenta valores inferiores a 2,5 cm de comprimento. O sucesso da cirurgia é maior quando realizada entre a 13a e a 16a semanas. Excepcionalmente, esse procedimento pode ser feito tardiamente na gravidez e também fora do período gestacional.

Malformações ou alterações na forma do útero

As alterações na forma do útero podem ser malformações congênitas, como útero bicorno, ou alterações desenvolvidas ao longo da vida da mulher, como septos, pólipos e miomas na cavidade uterina. Essas alterações também podem levar a abortamento e, consequentemente, a infertilidade.

A ultrassonografia (exame de imagem), a histerossalpingografia (exame de imagem com a utilização de contraste) e a histeroscopia (visualiza a cavidade uterina) são os exames indicados para examinar as condições uterinas e diagnosticar malformações e condições que possam causar abortamentos, entre outros problemas.

Alterações dos hormônios femininos

Os hormônios são substâncias de fundamental importância para o organismo feminino (masculino também) e desempenham inúmeros papéis, alguns deles relacionados à fertilidade, ciclo menstrual e gravidez.

Determinadas alterações hormonais na mulher podem dificultar a gravidez e favorecer o abortamento. Ciclos menstruais curtos (intervalos menores que 21 dias) ou muito longos (intervalos maiores que 35 dias) são indícios de alterações hormonais.

Para investigar a ação hormonal, existem exames específicos, como de FSH, LH, TSH, T4 livre, Prolactina, Progesterona, entre outros.

Alterações no DNA do espermatozoide

Os fatores masculinos também podem ser responsáveis por processos de abortamento. Quando um espermatozoide com alterações no DNA fecunda o óvulo, as chances de abortamento são maiores.

O exame indicado para investigar as condições do espermatozoide é o teste de fragmentação do DNA espermático. Consideramos alterados os resultados do teste quando a fragmentação é maior que 15%.

Fatores imunológicos

Aborto de repetição

Aborto de repetição

Os fatores imunológicos também estão associados a episódios de abortos de repetição. Durante o processo de implantação embrionária, ocorre uma inflamação para permitir a fixação do embrião no útero.

O equilíbrio deste processo é mediado por diversos fatores. Dentre eles destacam-se a ação das células NK (natural killer). Em situações de excesso de atividade dessas células, o abortamento pode acontecer.

Existe um exame específico (células NK) para identificar essa alteração, com boas chances de sucesso com o tratamento adequado. A medicação utilizada deve ser administrada por via endovenosa, entre 7 e 14 dias após o início da menstruação ou 2 dias antes da transferência de embriões. Essa medicação deve ser repetida 1x ao mês até a 20a semana de gravidez.

Os autoanticorpos produzidos contra o próprio indivíduo, muito frequentes em doenças da tireoide, que são mais comuns em mulheres, podem também levar à ocorrência de abortos de repetição.

Trombofilia

As trombofilias são doenças que aumentam o risco de trombose (formação de coágulo no sangue) e também são responsáveis pela ocorrência de abortos de repetição.

O tratamento em casos de abortos de repetição é indicado de acordo com a causa do abortamento. Após realizar a investigação médica, a paciente é orientada de forma individualizada.

Aborto de repetição e reprodução assistida

Quando a mulher passa por processo de aborto de repetição, é importante identificar a causa. Investigo todos os fatores antes de liberar o casal para uma nova gravidez. Caso haja algum problema, faço o tratamento necessário e o casal pode voltar a tentar normalmente. Se o embrião for geneticamente viável, ele vai evoluir e a gestação vai se desenvolver.

Se a mulher continuar abortando, há uma grande possibilidade de os abortos de repetição terem causas genéticas. Nesse caso, posso indicar a FIV com análise genética dos embriões. Durante o desenvolvimento embrionário, é possível fazer a biópsia do embrião, verificar os distúrbios genéticos que estão causando os abortamentos e selecionar os embriões viáveis.

Dessa forma, conseguimos aumentar as chances de gravidez em mulheres que tenham passado por abortos de repetição por causa genética. Em todos os outros casos, é importante tratar o problema antes de o casal recorrer à FIV.

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