Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.
Reprodução Humana

Transferência de blastocisto

Blastocisto é o termo que denomina o estágio do embrião caracterizado pela presença da blastocele (região central do embrião, após alguns dias do início do processo de clivagem – divisão celular) circundada por blastômeros, células formadas a partir das divisões iniciais do zigoto, que é o resultado inicial da fecundação do óvulo pelo espermatozoide.

No primeiro dia de desenvolvimento, o embrião tem apenas uma célula com os dois pronúcleos, feminino e masculino. Esse é o estágio de zigoto, logo após a fecundação. No segundo dia, o processo de clivagem ocorre continuamente e o embrião apresenta de 2 a 4 células. No terceiro dia, ele tem cerca de 8 células. No quarto dia, cerca de 24 células. No quinto dia, esse número aumenta significativamente e o embrião apresenta, aproximadamente, 120 células e há formação da blastocele.

No estágio de blastocisto, o embrião fixa-se na parede interna do útero, o endométrio, em uma gravidez natural, processo chamado de nidação ou implantação, essencial para o início da gestação. Esse fato ocorre porque, com o crescimento do embrião, ele expõe células e moléculas de adesão na sua superfície, que entram em contato com o endométrio e promovem a invasão uterina, formação de novos vasos sanguíneos, responsáveis pela formação futura da placenta.

Caso o embrião não se fixe, não há gravidez. Se esse problema for crônico, a mulher pode tornar-se infértil.

Neste texto, vamos abordar a relação entre blastocisto e a reprodução humana assistida, por que fazer ou não a transferência dos embriões nesse estágio e as taxas de sucesso de gravidez na transferência de blastocistos.

Blastocisto e a reprodução humana assistida

Nas técnicas de reprodução humana assistida, especificamente na fertilização in vitro (FIV), a última etapa do processo é a transferência do embrião formado e cultivado em laboratório para o útero da mulher, que pode ser a mãe ou a cedente temporária do útero.

Essa etapa ocorre após a estimulação ovariana, a indução da ovulação, a punção folicular, a coleta de espermatozoides, a fecundação em si e o cultivo embrionário.

O embrião pode ser transferido para o útero no terceiro (D3) ou no quinto (blastocisto) dia de desenvolvimento.

Existem vantagens e desvantagens da transferência dos embriões em cada um dos estágios.

A transferência em D3 requer um tempo mais curto de cultivo embrionário em laboratório, aumentando a chance de transferência de um número maior de embriões.

No entanto, nesse estágio a análise genética do embrião não tem o detalhamento necessário para a seleção precisa dos melhores embriões. Como o número de células é menor, a análise também é restrita.

Já a transferência de blastocisto requer um desenvolvimento mais longo em laboratório e apenas os embriões de maior qualidade se desenvolvem até esse estágio. A estratégia de transferência em blastocisto pode reduzir o número de embriões viáveis. Em alguns casos, nenhum embrião se desenvolve a esse estágio e não é possível fazer a transferência.

Por outro lado, a transferência de blastocisto permite uma análise genética, se estiver indicada e se o embrião tiver qualidade para se desenvolver até essa fase em laboratório. Nesse estágio, é possível a seleção dos melhores embriões e aumento da taxa de sucesso. A avaliação de diversos tipos de distúrbios genéticos, que podem prejudicar o desenvolvimento embrionário, além de evitar doenças no indivíduo que nasce após este procedimento, é viável nesse momento.

Independentemente da avaliação genética do blastocisto, é possível adotar critérios mais precisos para seleção do embrião a ser transferido com reais possibilidades de implantação.

A escolha do momento ideal para fazer a transferência envolve questões complexas e deve ser compartilhada com os envolvidos nesse processo.

Mulheres com idade mais avançada, principalmente após os 37 anos, apresentam uma qualidade inferior de gametas, assim como homens portadores de certas doenças ou condições que prejudicam a fertilidade, como varicocele. Nesses casos, deve ser considerada a possibilidade de transferência em D3.

Já para mulheres e homens com melhor qualidade de gametas, podemos fazer a transferência em estágio de blastocisto, porque um maior número de embriões poderá atingir esse estágio.

Cada caso deve ser avaliado individualmente. Existem particularidades e condições específicas para a indicação da transferência em um ou em outro estágio.

Atualmente, há uma tendência fundamentada para transferência de blastocisto, com critérios adequados para a seleção embrionária, priorizando a transferência única de um blastocisto de qualidade superior. A transferência em D3 é uma exceção.

Taxas de sucesso

A taxa de sucesso é de cerca de 40%, a mesma da FIV.

A taxa de gravidez com a transferência de embriões em D5, geneticamente selecionados, é maior e com redução significativa do risco de aborto espontâneo.

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