Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.

Preservação oncológica da fertilidade

O câncer é uma das principais doenças da modernidade. Sua incidência aumentou significativamente nos últimos anos e muitas pesquisas e investimentos têm sido feitos para desenvolver novas formas terapêuticas de tratamento, algumas com bons resultados, como a quimioterapia, a radioterapia e diversos procedimentos cirúrgicos.

Esses tratamentos, no entanto, podem prejudicar a fertilidade do homem e da mulher, pois afetam a gametogênese, ou seja, a produção de óvulos e espermatozoides. O tratamento elimina as células cancerígenas, mas também afeta a produção dos gametas.

Quando a mulher ou o homem recebe o diagnóstico de câncer e está em idade reprodutiva, com planos de ter filhos, é fundamental que se faça a avaliação da fertilidade e a preservação oncológica, que significa congelar óvulos ou espermatozoides antes do tratamento do câncer para que seja possível ter filhos posteriormente com o auxílio da fertilização in vitro (FIV).

O Conselho Federal de Medicina (CFM) permite a utilização de técnicas de reprodução assistida para esse fim. O uso das técnicas de reprodução assistida para preservação oncológica de gametas amplia as oportunidades de melhorar o planejamento reprodutivo.

Neste texto, vamos abordar as indicações, como é feita a preservação oncológica para homens e mulheres, a importância da reprodução assistida nesse contexto e as taxas de sucesso de preservação da fertilidade.

Indicações

A preservação oncológica da fertilidade é indicada para todos os homens e mulheres que vão passar por tratamentos de câncer, pois correm um alto risco de terem sua fertilidade prejudicada de forma permanente.

Como é feita a preservação oncológica

A preservação oncológica é feita mediante a criopreservação de gametas. O processo é semelhante às etapas iniciais da FIV tanto para homens como para mulheres.

Depois da preservação, quando o paciente quiser engravidar, é necessário buscar a clínica de reprodução assistida.

Preservação oncológica para mulheres

Uma condição é fundamental para a preservação oncológica da fertilidade: a mulher precisa manifestar a vontade de preservar a sua fertilidade antes de iniciar o tratamento do câncer.

A preservação depende do estágio e da gravidade do câncer. Às vezes, o tempo é muito curto e precisamos agir imediatamente. Em outros casos, há mais tempo, mas ainda assim o processo deve ser iniciado o mais rápido possível.

Congelamento de óvulos

A primeira opção de preservação oncológica da fertilidade é o congelamento de óvulos. Nessa técnica, a primeira etapa é a estimulação ovariana e a indução da ovulação, fundamental para aumentar a quantidade de óvulos que será coletada para uso futuro. A mulher produz, a cada ciclo menstrual, apenas um óvulo, que pode ser fecundado pelo espermatozoide e dar origem ao embrião.

Para que a FIV tenha bons índices de sucesso, é importante que um número muito maior de óvulos esteja disponível para ser utilizado.

Por essa razão, fazemos a estimulação ovariana e a indução da ovulação com medicamentos hormonais. Em um ciclo de estímulo, a paciente produz a quantidade de óvulos compatível com sua reserva ovariana. Nessa situação, devido à urgência do tratamento oncológico, é realizado apenas um ciclo de estímulo ovariano antes do início do tratamento do câncer. Quanto maior o número de óvulos congelados, maior a chance de gravidez futura.

Depois da estimulação e da indução da ovulação, a mulher é encaminhada à punção folicular, que consiste na retirada do líquido folicular, que fica dentro dos folículos e contém o óvulo, por punção, procedimento cirúrgico realizado com o auxílio de uma agulha e com a mulher sob o efeito de anestesia.

O líquido extraído é encaminhado ao laboratório de embriologia para que sejam identificados e separados os óvulos que podem ser congelados. O congelamento é feito em nitrogênio líquido à temperatura de 196 oC negativos.

A mulher pode solicitar, no momento que desejar, o descongelamento dos óvulos para utilização em ciclos de FIV.

Congelamento de tecido ovariano

Outra opção para preservar a fertilidade feminina é o congelamento de tecido ovariano antes do tratamento do câncer. Este procedimento está indicado em crianças do sexo feminino antes da puberdade e em mulheres que não podem aguardar o período de 2 semanas para iniciar o tratamento do câncer.

O tecido ovariano é retirado cirurgicamente por meio de videolaparoscopia antes do início do tratamento oncológico. Esse tecido ovariano é armazenado em fragmentos com a mesma tecnologia aplicada para o congelamento de embriões. Imediatamente após a cirurgia para retirada de tecido ovariano, a paciente pode iniciar o tratamento para o câncer.

Quando a mulher decidir engravidar, o tecido ovariano é descongelado e transferido cirurgicamente para o ovário residual. Assim, é possível que a mulher ovule espontaneamente e engravide naturalmente.

Quando necessário, devido à baixa reserva ovariana, é indicada a FIV. A preservação de tecido ovariano é uma técnica promissora, mas apresenta taxas de sucesso de gravidez inferiores às do congelamento de óvulos. Portanto, está indicado o congelamento de tecido ovariano quando o congelamento de óvulos é inviável.

Os critérios para o congelamento de tecido ovariano são:

Para a indicação da técnica, a paciente passa inicialmente por uma avaliação clínica com médico especialista.

Caso a indicação seja possível, a paciente é internada na data preestabelecida e preparada para a coleta do tecido ovariano. A cirurgia tem duração aproximada de 60 minutos.

O material coletado vai para o laboratório em que será feita a criopreservação por vitrificação a 196 oC negativos.

A paciente permanece internada no hospital por cerca de 24h, então recebe alta.

Feito o procedimento de congelamento com sucesso, a paciente dá continuidade ao tratamento para o câncer.

Quando o tratamento terminar ou posteriormente, ela pode solicitar o descongelamento para tentar a gravidez de modo natural ou com o auxílio da FIV.

Preservação oncológica para homens

A preservação oncológica para homens é mais simples que para mulheres. O homem, antes de começar o tratamento de câncer, deve manifestar sua vontade de preservar a fertilidade.

Caso essa seja sua intenção, ele deve procurar uma clínica de reprodução assistida para solicitar o congelamento e a preservação dos gametas.

A primeira etapa é a consulta com o especialista, que dará ao homem toda a orientação do procedimento e explicará que os espermatozoides poderão ser utilizados em ciclos de FIV quando ele decidir ter filhos.

Depois de toda a orientação dada e esclarecimentos, o homem faz a coleta do sêmen no laboratório por masturbação. A amostra coletada é enviada para o laboratório de andrologia para a preparação seminal e posterior congelamento.

Os espermatozoides preparados são congelados e mantidos em nitrogênio líquido a 196 oC negativos até o homem decidir utilizá-los.

O sucesso da preservação oncológica da fertilidade está relacionado ao sucesso da FIV, que é cerca de 40%, podendo variar, principalmente, de acordo com a idade da mulher (quando preservou a fertilidade) e possíveis danos ao útero em função do tratamento oncológico.

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