Azoospermia na reprodução assistida

A infertilidade conjugal pode ter causas femininas e masculinas. Por isso, ao contrário de manter o foco somente na avaliação e no tratamento da mulher, é necessário que o homem também seja examinado. A investigação pode levar ao diagnóstico de alterações seminais complexas, sendo a azoospermia uma das mais desafiadoras.

Antes de falar sobre as causas e o tratamento da azoospermia, vale esclarecer que existem diferenças entre o sêmen e os espermatozoides — temas que ainda são confundidos por algumas pessoas. Entenda:

  • o sêmen é o líquido ejaculado, o fluído leitoso e esbranquiçado que o homem libera durante o orgasmo. Ele também é chamado de esperma e é composto por secreções das vesículas seminais, da próstata e das glândulas bulbouretrais, além de geralmente conter milhões de espermatozoides;
  • por sua vez, os espermatozoides são as células sexuais masculinas — os gametas, assim como os óvulos são os da mulher. Essas células são produzidas nos testículos, amadurecem nos epidídimos e passam pelo sistema de ductos do trato reprodutivo para se unirem às demais secreções e serem liberadas no sêmen.

O espermograma é uma das primeiras etapas da investigação da infertilidade conjugal. É a partir desse exame que podemos identificar anormalidades seminais, como alterações na quantidade ou na qualidade dos espermatozoides. A azoospermia é um dos resultados possíveis.

Leia mais e entenda o que essa condição significa!

O que é azoospermia?

A azoospermia é definida como a ausência de espermatozoides no ejaculado, confirmada por pelo menos dois espermogramas realizados em dias distintos — com um intervalo mínimo de duas semanas. 

Poucos homens na população masculina geral (apenas cerca de 1%) apresentam essa alteração, mas ela pode ser encontrada em até 15% dos homens que investigam a infertilidade. 

A azoospermia pode ter diferentes causas, desde disfunções hormonais até bloqueios no transporte dos espermatozoides. Para facilitar o entendimento e o planejamento terapêutico, ela é classificada em dois tipos: obstrutiva e não obstrutiva.

Na azoospermia obstrutiva, os espermatozoides são produzidos normalmente, mas não conseguem chegar ao sêmen devido a uma obstrução no trajeto. As causas mais comuns incluem: 

  • vasectomia (cirurgia eletiva para contracepção);
  • infecções genitais ou cirurgias abdominais/pélvicas, que podem resultar em formação de tecido cicatricial no trato reprodutivo, interrompendo a passagem dos gametas;
  • malformações congênitas, como a ausência dos ductos deferentes.

A azoospermia não obstrutiva é uma condição mais preocupante, pois tem relação com falhas na produção dos espermatozoides, devido a causas pré-testiculares ou testiculares. Por exemplo:

  • disfunções hormonais;
  • síndromes genéticas;
  • varicocele em grau avançado; 
  • radioterapia ou quimioterapia prévia;
  • ausência congênita das células germinativas (Síndrome de células de Sertoli);
  • fatores idiopáticos (sem causa definida).

Ambos os tipos de azoospermia têm implicações diretas na fertilidade masculina, mas exigem condutas diferentes — e, com os avanços da medicina reprodutiva, é possível encontrar soluções diante dessas dificuldades.

Qual é relação da azoospermia com a infertilidade?

Em razão da ausência de espermatozoides no sêmen, o encontro natural entre o gameta masculino e o feminino não ocorre e a fertilização se torna inviável. O homem pode ter essa alteração sem desconfiar, pois ela não afeta outros aspectos, como o volume do sêmen e a potência sexual.

O diagnóstico de azoospermia não é um atestado de que a gestação será impossível. Há técnicas específicas para contornar esse problema. No entanto, é importante aprofundar a investigação, nesses casos, para descobrir quais são os fatores subjacentes.

O espermograma revela a azoospermia, mas não suas causas. Sendo assim, pode ser necessário realizar outros exames — ultrassom testicular, dosagens hormonais, testes genéticos etc. — para descobrir se existem condições tratáveis por trás da alteração seminal.

Em algumas situações, é possível restaurar os parâmetros seminais. As opções de tratamento das causas da azoospermia incluem: terapia hormonal; cirurgia para correção de varicocele; reversão de vasectomia (em condições específicas); entre outros.

Como superar a azoospermia na reprodução assistida?

Nem sempre é possível reverter a azoospermia com tratamento medicamentoso ou cirúrgico. Para alguns casais que enfrentam esse desafio, as técnicas de reprodução assistida representam a melhor alternativa.

Nesse contexto, a principal abordagem, tanto diante da azoospermia obstrutiva quanto da não obstrutiva, é a fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) após recuperação espermática.

As técnicas utilizadas para recuperar os espermatozoides são: 

  • PESA e MESA — viabilizam a coleta dos gametas presentes nos epidídimos (local onde eles ficam armazenados depois de serem produzidos nos testículos). São indicadas para homens com azoospermia obstrutiva;
  • TESE e Micro-TESE (biópsia testicular) — podem ser indicadas em casos de azoospermia não obstrutiva, permitindo identificar áreas dos testículos com espermatogênese ativa. 

Após serem coletados dos órgãos reprodutores, os espermatozoides, mesmo em pequena quantidade, são usados na FIV com ICSI. Com essa técnica, cada gameta masculino é injetado dentro de um óvulo, gerando embriões fora do corpo materno. Alguns dias depois, eles podem ser transferidos para o útero ou congelados para transferência futura. 

Nas situações mais graves de azoospermia, nas quais não é possível recuperar espermatozoides em quantidade suficiente para a FIV com ICSI, o casal pode considerar a doação de sêmen, uma opção segura e regulamentada por normas éticas. Essa decisão deve ser tomada com o devido acolhimento e orientação da equipe médica.

Aprofunde seu entendimento com a leitura de mais um artigo sobre azoospermia!



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Congelamento de Óvulos

Opção para mulheres que não queiram engravidar agora e querem preservar sua fertilidade ou para mulheres que possuem alguma condição médica que possa afetar sua fertilidade futuramente.

Consulta com especialista

  •  Realização de diversos exames para avaliar a resposta que a mulher terá ao estímulo ovariano para a coleta dos óvulos.

Estimulação ovariana e indução da ovulação

  • É feita uma combinação de medicamentos hormonais que ajudam a estimular o crescimento dos folículos que contêm os óvulos nos ovários.

Punção folicular

  • Retirada do líquido contido nos folículos, no qual ficam os óvulos.
  • Feito com o auxílio de uma agulha e de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;

Identificação e seleção dos óvulos

  • No laboratório de embriologia são identificados e selecionados os óvulos maduros e de qualidade para o congelamento.

Congelamento

  • Os óvulos selecionados são rapidamente congelados usando uma técnica chamada de vitrificação, que consiste em imersão em nitrogênio líquido em temperaturas extremamente baixas para preservá-los.

Armazenamento

  • São armazenados em um laboratório de Reprodução, geralmente por tempo indeterminado, até que a mulher esteja pronta para utilizá-los, podendo solicitar o descongelamento e utilizar os óvulos em ciclos de FIV, que é a etapa final do processo.
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Relação Sexual Programada (RSP)

Também conhecida como coito programado, ocorre de maneira natural e possui taxas de sucesso mais baixas.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.
  • O hCG provoca o rompimento dos folículos cerca de 36 horas após sua administração.

Tentativas de Gravidez:

  • Orientação ao casal sobre quais serão os dias mais férteis daquele ciclo – que são os dias que eles devem manter as relações sexuais.
  • O espermatozoide sobrevive cerca de 3 dias no sistema reprodutivo feminino e o óvulo cerca de 36h. Portanto, não é necessário estabelecer a hora exata para o coito e sim um período aproximado e muito assertivo.

Conclusão do RSP

  • O teste de gravidez pode ser feito, normalmente, após 14 dias para verificar o sucesso da técnica.

Chances de Sucesso

  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, muito similares às da inseminação artificial (IA).

Recomendação

  • Essa técnica é recomendada no máximo por três ciclos.
  • Após esse período, indicamos a FIV, pois outros fatores podem estar presentes, prejudicando a fertilidade e a FIV oferece mais recursos para superar esses problemas.
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Ovodoação – Recepção de Óvulos

Opção para mulheres inférteis, em virtude de baixa qualidade ou baixa reserva de óvulos.

Cadastro

  • Realização do cadastro da receptora no banco internacional de óvulos da Espanha e Argentina.

Scanner Facial

  • Após o cadastro é feita uma análise facial da receptora, onde são avaliados cerca de 12.000 pontos da face para identificar semelhanças com possíveis doadoras com características físicas e compatibilidade sanguínea da receptora.

Avaliação de Critérios

  • O banco de óvulos pode enviar à receptora informações sobre a doadora mais compatível segundo a análise detalhada, após isso, acontece a tomada da decisão para prosseguir com o tratamento proposto.
  • Antes da doação, a doadora é avaliada por uma equipe médica que verifica sua saúde geral, e diversos critérios.

Documentação

  • Após a seleção da doadora, a documentação é preparada para solicitar a vinda dos óvulos adquiridos do banco internacional para o laboratório.

Realização da fiv

  • A FIV é iniciada após a chegada dos óvulos. O processo de FIV envolve a fertilização dos óvulos com os espermatozoides em laboratório e a transferência do embrião resultante para o útero da receptora.
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Inseminação Artificial

Desenvolvida para aumentar as chances de gravidez em casos de infertilidade com alteração seminal leve, mulheres com idade até 35 anos e tubas uterinas saudáveis, casal homoafetivo feminino.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios, que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.

  • O óvulo sai do ovário e é capturado pelas tubas uterinas onde pode ser fecundado e posteriormente direcionado para o útero.

Coleta e capacitação seminal

  • O sêmen pode ser do parceiro ou de doador.
  • A coleta é feita no laboratório 02 horas antes da inseminação.

  • O sêmen deve ser analisado previamente e preparado a fim de ser depositado na cavidade uterina.

Inseminação

  • Utilizando um cateter, depositamos o sêmen preparado diretamente na cavidade uterina para facilitar o encontro do óvulo com o espermatozoide.
  • Procedimento é indolor e rápido, não havendo necessidade de repouso.

Conclusão da IA

  • O teste de gravidez é realizado 14 dias após a inseminação.
  • Caso o procedimento não seja bem-sucedido, é avaliado com o casal se é válido fazer uma nova tentativa ou se seguimos para a FIV.

Chances de Sucesso

  • O sucesso da IA depende de alguns fatores como a qualidade dos gametas.
  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, um valor inferior ao da FIV.
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Fertilização in vitro

Indicada para a maioria dos casos de infertilidade e apresenta as mais altas taxas de sucesso de gravidez.

Estimulação Ovariana e Indução da Ovulação

  • Preparação do corpo: Feita com medicamentos hormonais para estimular a ovulação e aumentar o crescimento de folículos.
  • Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é administrado o hormônio hCG. Após 35 horas, é realizada a coleta dos óvulos.

Punção Ovariana

  • Retirada dos ovócitos do ovário por meio de uma agulha guiada por ultrassom.
  • O sêmen é coletado no mesmo dia e enviado para separar os melhores espermatozoides e aumentar as chances de fecundação.

Fecundação Dos Óvulos

  • Dentre os espermatozoides coletados é identificado o melhor e colocado dentro de cada óvulo.
  •  Os embriões formados a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozoide são colocados em incubadoras para se desenvolverem. 

Cultivo Embrionário

  • Desenvolvimento do embrião: o embrião é mantido em um meio de cultivo durante um período de 5 dias, até que esteja em uma fase adequada para ser transferido ou congelado.

Transferência Embrionária

  • O embrião é colocado no útero para iniciar o processo de fixação, da mesma forma que acontece na gestação espontânea.
  • É nesse momento que pode haver uma maior ou menor possibilidade de gestação múltipla, podem ser transferidos até três embriões dependendo da idade da mulher.

Conclusão da FIV

  • Confirmação da gravidez: a gravidez é confirmada por meio de teste de sangue.
  • O exame é realizado em 10 dias após a transferência embrionária.
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