Avaliação clínica de fertilidade: por onde começar

Avaliação clínica de fertilidade: por onde começar

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Tempo de leitura: 5 minutos

Quando a gravidez não acontece no tempo esperado, a dúvida costuma ocupar muitos espaços: há algum problema? É preciso esperar mais? Por onde começar? A avaliação clínica de fertilidade é o primeiro passo para transformar incertezas em um plano de cuidado baseado na história, no momento de vida e nas particularidades de cada pessoa ou casal.

Ela não é uma sequência automática de exames nem uma corrida para um tratamento de alta complexidade. Trata-se de uma consulta médica aprofundada, que busca entender os fatores que podem interferir na concepção e identificar os caminhos mais adequados. Em alguns casos, mudanças de hábito, acompanhamento da ovulação ou uma intervenção simples podem ser suficientes. Em outros, a investigação aponta a necessidade de técnicas de reprodução assistida, como inseminação artificial ou fertilização in vitro.

Quando procurar uma avaliação clínica de fertilidade?

Para mulheres com menos de 35 anos, recomenda-se investigar após 12 meses de relações sexuais regulares, sem uso de contraceptivos, sem gravidez. A partir dos 35 anos, esse período costuma ser reduzido para seis meses, pois a idade pode influenciar tanto a quantidade quanto a qualidade dos óvulos.

Há situações em que não é necessário esperar. Ciclos menstruais muito irregulares ou ausentes, dor pélvica intensa, suspeita de endometriose, histórico de gravidez ectópica, cirurgias pélvicas, infecções sexualmente transmissíveis, perdas gestacionais recorrentes e tratamentos oncológicos são alguns exemplos. Para homens, alterações já conhecidas no espermograma, varicocele, cirurgias testiculares, histórico de quimioterapia ou dificuldade de ejaculação também justificam uma avaliação precoce.

A consulta também faz sentido para quem ainda não está tentando engravidar, mas deseja planejar o futuro reprodutivo. Mulheres que consideram o congelamento de óvulos, por decisão pessoal ou antes de um tratamento que possa comprometer a função ovariana, podem receber orientações mais individualizadas após essa análise.

O que acontece na primeira consulta?

A primeira conversa é uma parte essencial da avaliação. Mais do que analisar resultados de laboratório, a especialista escuta a trajetória reprodutiva, os planos, as preocupações e os limites de cada paciente. Esse cuidado evita conclusões apressadas e ajuda a definir uma investigação que faça sentido.

São abordados aspectos como idade, duração das tentativas, frequência das relações, regularidade menstrual, sintomas ginecológicos, doenças prévias, uso de medicamentos, cirurgias, histórico familiar e hábitos de vida. Também podem ser relevantes informações sobre peso, tabagismo, consumo de álcool, exposição a substâncias tóxicas e saúde emocional.

Quando há um casal, a avaliação deve contemplar ambos desde o início. A infertilidade não é uma questão exclusivamente feminina: fatores masculinos podem estar presentes isoladamente ou associados a condições femininas. Investigar o casal em paralelo tende a reduzir tempo, evitar exames desnecessários e permitir decisões mais precisas.

Para casais homoafetivos, pessoas solteiras e outras configurações familiares, a consulta também organiza possibilidades de acordo com o projeto parental, a legislação vigente e os critérios éticos da reprodução assistida. O desejo de formar uma família merece acolhimento e informação clara em todas as suas formas.

Exames na avaliação clínica de fertilidade

Os exames são definidos de forma personalizada. Não existe um painel único capaz de explicar todas as dificuldades para engravidar, e solicitar testes sem indicação pode aumentar custos e ansiedade sem trazer respostas úteis. A escolha depende do que foi identificado na história clínica e no exame físico.

Avaliação da ovulação e dos hormônios

A regularidade do ciclo menstrual oferece pistas importantes, mas não confirma sozinha que a ovulação ocorre de forma adequada. Dosagens hormonais podem ser solicitadas em fases específicas do ciclo para avaliar hormônios relacionados ao funcionamento ovariano, à tireoide e à produção de prolactina, entre outros.

Condições como síndrome dos ovários policísticos, alterações tireoidianas e hiperprolactinemia podem interferir na ovulação. O resultado de um exame isolado, porém, não deve ser interpretado fora do contexto. Valores hormonais variam conforme o dia do ciclo, medicamentos em uso e características individuais.

Reserva ovariana: o que ela mostra e o que não mostra

A reserva ovariana estima a quantidade de óvulos ainda disponível nos ovários. Geralmente, é avaliada pela contagem de folículos antrais no ultrassom transvaginal e pela dosagem do hormônio antimülleriano, conhecido como AMH.

Esses indicadores são especialmente úteis para planejar tratamentos e discutir preservação da fertilidade. No entanto, reserva ovariana não é sinônimo de fertilidade imediata nem determina, sozinha, a possibilidade de uma gestação natural. Ela também não mede diretamente a qualidade dos óvulos, que está fortemente relacionada à idade. Uma reserva reduzida pede uma conversa cuidadosa sobre tempo e estratégias, não uma sentença.

Útero, trompas e pelve

O ultrassom transvaginal pode avaliar útero, endométrio e ovários, além de identificar achados como miomas, pólipos, cistos ovarianos e sinais sugestivos de endometriose ou adenomiose. Dependendo do caso, exames complementares podem oferecer uma visão mais detalhada da anatomia pélvica.

A permeabilidade das trompas é outro ponto relevante, pois são elas que permitem o encontro entre óvulo e espermatozoide em uma concepção espontânea. A histerossalpingografia é um dos exames utilizados para investigar se há obstruções. Processos inflamatórios prévios, cirurgias, hidrossalpinge e endometriose podem afetar essa estrutura.

Nem toda alteração encontrada exige tratamento imediato. Um mioma, por exemplo, precisa ser analisado conforme tamanho e localização. Já uma alteração tubária pode mudar significativamente a estratégia terapêutica. É por isso que imagens nunca devem ser avaliadas de forma desconectada da história clínica.

Investigação do fator masculino

O espermograma é um exame fundamental na avaliação do parceiro que produz espermatozoides. Ele analisa volume seminal, concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Alterações podem ocorrer por diversos motivos, incluindo varicocele, infecções, fatores hormonais, exposição ao calor, uso de anabolizantes, tabagismo e condições genéticas.

Um resultado alterado nem sempre é definitivo. A produção espermática sofre variações, e a médica pode recomendar repetição do exame ou solicitar avaliações adicionais. Em situações como azoospermia, quando não há espermatozoides no ejaculado, a investigação precisa ser ainda mais específica para compreender a causa e discutir as possibilidades de obtenção espermática e reprodução assistida.

Como os resultados se transformam em um plano de cuidado

Após reunir a história clínica e os exames necessários, o próximo passo é interpretar o conjunto. Às vezes, encontra-se um fator claro, como ausência de ovulação, obstrução tubária ou alteração seminal importante. Em outras situações, os exames iniciais estão dentro do esperado e ainda assim a gravidez não ocorre. Essa condição pode ser chamada de infertilidade sem causa aparente, mas não significa ausência de cuidado ou de alternativas.

A recomendação médica considera idade, tempo de tentativa, reserva ovariana, condições do útero e das trompas, qualidade seminal, histórico de perdas gestacionais e preferências do casal ou da paciente. Relação sexual programada e indução da ovulação podem ser opções em determinados cenários. A inseminação intrauterina pode ser indicada em outros. Quando há fatores tubários, comprometimento seminal mais significativo, baixa reserva ovariana ou necessidade de maior controle laboratorial, a fertilização in vitro com ou sem ICSI pode ser mais apropriada.

Tecnologias como teste genético pré-implantacional, congelamento de embriões e transferência de blastocisto também podem ser discutidas em circunstâncias específicas. Elas não são recursos obrigatórios para todos os tratamentos. A indicação deve ter justificativa clínica, benefício potencial e transparência sobre limites, custos e expectativas.

Acolher também faz parte da investigação

A dificuldade para engravidar pode provocar culpa, medo, frustração e desencontros no casal. Esses sentimentos não diminuem a capacidade de tomar boas decisões, mas merecem espaço durante o processo. Uma avaliação bem conduzida combina precisão científica com escuta respeitosa, sem promessas irreais e sem minimizar a urgência que algumas situações exigem.

Na Clínica de Reprodução Humana Dra. Adriana de Góes Soligo, a investigação é pensada para que cada etapa tenha propósito e seja compreensível. Ter um diagnóstico não significa que todas as respostas surgirão de uma vez, mas permite caminhar com mais segurança, informação e respeito pelo próprio tempo.

Se a gravidez está demorando, se existe uma condição de saúde conhecida ou se o desejo é preservar possibilidades para o futuro, buscar orientação especializada pode ser um gesto de cuidado consigo. Conte com carinho, dedicação e informação responsável para dar vida ao seu sonho, um passo de cada vez.

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O sonho de nossos pacientes também passa a ser nosso e, para torná-lo realidade, não medimos esforços.

Congelamento de Óvulos

Opção para mulheres que não queiram engravidar agora e querem preservar sua fertilidade ou para mulheres que possuem alguma condição médica que possa afetar sua fertilidade futuramente.

Consulta com especialista

  •  Realização de diversos exames para avaliar a resposta que a mulher terá ao estímulo ovariano para a coleta dos óvulos.

Estimulação ovariana e indução da ovulação

  • É feita uma combinação de medicamentos hormonais que ajudam a estimular o crescimento dos folículos que contêm os óvulos nos ovários.

Punção folicular

  • Retirada do líquido contido nos folículos, no qual ficam os óvulos.
  • Feito com o auxílio de uma agulha e de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;

Identificação e seleção dos óvulos

  • No laboratório de embriologia são identificados e selecionados os óvulos maduros e de qualidade para o congelamento.

Congelamento

  • Os óvulos selecionados são rapidamente congelados usando uma técnica chamada de vitrificação, que consiste em imersão em nitrogênio líquido em temperaturas extremamente baixas para preservá-los.

Armazenamento

  • São armazenados em um laboratório de Reprodução, geralmente por tempo indeterminado, até que a mulher esteja pronta para utilizá-los, podendo solicitar o descongelamento e utilizar os óvulos em ciclos de FIV, que é a etapa final do processo.
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Relação Sexual Programada (RSP)

Também conhecida como coito programado, ocorre de maneira natural e possui taxas de sucesso mais baixas.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.
  • O hCG provoca o rompimento dos folículos cerca de 36 horas após sua administração.

Tentativas de Gravidez:

  • Orientação ao casal sobre quais serão os dias mais férteis daquele ciclo – que são os dias que eles devem manter as relações sexuais.
  • O espermatozoide sobrevive cerca de 3 dias no sistema reprodutivo feminino e o óvulo cerca de 36h. Portanto, não é necessário estabelecer a hora exata para o coito e sim um período aproximado e muito assertivo.

Conclusão do RSP

  • O teste de gravidez pode ser feito, normalmente, após 14 dias para verificar o sucesso da técnica.

Chances de Sucesso

  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, muito similares às da inseminação artificial (IA).

Recomendação

  • Essa técnica é recomendada no máximo por três ciclos.
  • Após esse período, indicamos a FIV, pois outros fatores podem estar presentes, prejudicando a fertilidade e a FIV oferece mais recursos para superar esses problemas.
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Ovodoação – Recepção de Óvulos

Opção para mulheres inférteis, em virtude de baixa qualidade ou baixa reserva de óvulos.

Cadastro

  • Realização do cadastro da receptora no banco internacional de óvulos da Espanha e Argentina.

Scanner Facial

  • Após o cadastro é feita uma análise facial da receptora, onde são avaliados cerca de 12.000 pontos da face para identificar semelhanças com possíveis doadoras com características físicas e compatibilidade sanguínea da receptora.

Avaliação de Critérios

  • O banco de óvulos pode enviar à receptora informações sobre a doadora mais compatível segundo a análise detalhada, após isso, acontece a tomada da decisão para prosseguir com o tratamento proposto.
  • Antes da doação, a doadora é avaliada por uma equipe médica que verifica sua saúde geral, e diversos critérios.

Documentação

  • Após a seleção da doadora, a documentação é preparada para solicitar a vinda dos óvulos adquiridos do banco internacional para o laboratório.

Realização da fiv

  • A FIV é iniciada após a chegada dos óvulos. O processo de FIV envolve a fertilização dos óvulos com os espermatozoides em laboratório e a transferência do embrião resultante para o útero da receptora.
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Inseminação Artificial

Desenvolvida para aumentar as chances de gravidez em casos de infertilidade com alteração seminal leve, mulheres com idade até 35 anos e tubas uterinas saudáveis, casal homoafetivo feminino.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios, que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.

  • O óvulo sai do ovário e é capturado pelas tubas uterinas onde pode ser fecundado e posteriormente direcionado para o útero.

Coleta e capacitação seminal

  • O sêmen pode ser do parceiro ou de doador.
  • A coleta é feita no laboratório 02 horas antes da inseminação.

  • O sêmen deve ser analisado previamente e preparado a fim de ser depositado na cavidade uterina.

Inseminação

  • Utilizando um cateter, depositamos o sêmen preparado diretamente na cavidade uterina para facilitar o encontro do óvulo com o espermatozoide.
  • Procedimento é indolor e rápido, não havendo necessidade de repouso.

Conclusão da IA

  • O teste de gravidez é realizado 14 dias após a inseminação.
  • Caso o procedimento não seja bem-sucedido, é avaliado com o casal se é válido fazer uma nova tentativa ou se seguimos para a FIV.

Chances de Sucesso

  • O sucesso da IA depende de alguns fatores como a qualidade dos gametas.
  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, um valor inferior ao da FIV.
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Fertilização in vitro

Indicada para a maioria dos casos de infertilidade e apresenta as mais altas taxas de sucesso de gravidez.

Estimulação Ovariana e Indução da Ovulação

  • Preparação do corpo: Feita com medicamentos hormonais para estimular a ovulação e aumentar o crescimento de folículos.
  • Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é administrado o hormônio hCG. Após 35 horas, é realizada a coleta dos óvulos.

Punção Ovariana

  • Retirada dos ovócitos do ovário por meio de uma agulha guiada por ultrassom.
  • O sêmen é coletado no mesmo dia e enviado para separar os melhores espermatozoides e aumentar as chances de fecundação.

Fecundação Dos Óvulos

  • Dentre os espermatozoides coletados é identificado o melhor e colocado dentro de cada óvulo.
  •  Os embriões formados a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozoide são colocados em incubadoras para se desenvolverem. 

Cultivo Embrionário

  • Desenvolvimento do embrião: o embrião é mantido em um meio de cultivo durante um período de 5 dias, até que esteja em uma fase adequada para ser transferido ou congelado.

Transferência Embrionária

  • O embrião é colocado no útero para iniciar o processo de fixação, da mesma forma que acontece na gestação espontânea.
  • É nesse momento que pode haver uma maior ou menor possibilidade de gestação múltipla, podem ser transferidos até três embriões dependendo da idade da mulher.

Conclusão da FIV

  • Confirmação da gravidez: a gravidez é confirmada por meio de teste de sangue.
  • O exame é realizado em 10 dias após a transferência embrionária.
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