Reprodução assistida: uma abordagem multidisciplinar

A reprodução assistida é um campo em constante evolução, que oferece às pessoas com infertilidade diferentes caminhos para realizarem o sonho de ter filhos. Os tratamentos são centralizados em três técnicas principais: fertilização in vitro (FIV), inseminação artificial e coito programado. Entretanto, os médicos especialistas em fertilidade não estão sozinhos para realizar esses tratamentos, eles geralmente contam com uma equipe multidisciplinar. 

Os profissionais que atuam na medicina reprodutiva se preocupam cada vez mais em oferecer um acompanhamento integrado, voltando um olhar abrangente e acolhedor ao casal ou indivíduo. Para isso, é preciso considerar os diversos fatores que influenciam no sucesso terapêutico: físicos, psíquicos, nutricionais, sociais, entre outros.

Assim, a atuação conjunta de profissionais de diferentes especialidades — ginecologistas, urologistas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, acupunturistas, biólogos, embriologistas e geneticistas — garante um cuidado multidisciplinar, pensado para dar suporte completo a quem busca o tratamento.

Acompanhe, neste post, como funciona o acompanhamento multidisciplinar na reprodução assistida!

A reprodução assistida e seus desafios

A reprodução assistida abrange diferentes técnicas, que são indicadas conforme a causa da infertilidade, o histórico do casal e outros fatores clínicos. Veja, de forma resumida, quais são os principais tratamentos:

  • coito programado ou relação sexual programada — é a mais simples das intervenções na reprodução assistida, consiste apenas em induzir a ovulação da mulher e monitorar a fase pré-ovulatória para orientar o casal a ter suas relações durante o período fértil;
  • inseminação artificial ou intrauterina — nessa técnica, uma amostra de sêmen é coletada e preparada em laboratório e os espermatozoides são inseridos diretamente no útero da mulher próximo ao dia da ovulação;
  • fertilização in vitro (FIV) — essa é a técnica mais complexa, que envolve a coleta dos óvulos e espermatozoides seguida da fecundação em laboratório. Posteriormente, o embrião é transferido para o útero.

A escolha da técnica adequada envolve uma avaliação clínica criteriosa. Contudo, vários desafios podem surgir durante o percurso de investigação diagnóstica e tratamento da infertilidade.

Um dos primeiros obstáculos é o próprio diagnóstico: em alguns casos, não se identifica nenhum problema físico a ser superado, o que caracteriza a infertilidade sem causa aparente (ISCA). Nessa circunstância, o casal pode passar por uma série de exames com resultados normais, mas ainda assim permanecer com dificuldades para engravidar.

Outro desafio comum é o impacto psicológico do tratamento. A expectativa de confirmar a gestação, o medo do insucesso e o cansaço diante da sequência de procedimentos podem gerar ansiedade, estresse e até conflitos no relacionamento do casal.

Além disso, há situações que exigem estratégias especiais, como a doação de óvulos ou espermatozoides e a barriga solidária — alternativas que envolvem não apenas aspectos clínicos, mas também emocionais, legais e éticos.

Ainda, é preciso considerar que, mesmo com as técnicas mais avançadas, os tratamentos não garantem 100% de êxito. As falhas fazem parte do processo e a repetição dos ciclos pode ser necessária. 

Diante dos possíveis desafios, ter uma equipe multidisciplinar preparada para oferecer um suporte abrangente e individualizado faz toda a diferença para que esse percurso seja enfrentado de forma leve e com mais chances de sucesso.

O papel da equipe multidisciplinar no tratamento da infertilidade

Os médicos especialistas em reprodução assistida são os principais responsáveis por atender as pessoas/casais inférteis, conduzir a investigação das causas da infertilidade, fornecer informações e orientações, esclarecer dúvidas e guiar os tratamentos.

A maioria desses médicos tem formação em ginecologia. Aliás, mesmo que não seja no contexto específico da reprodução assistida, os ginecologistas têm o importante papel de cuidar da saúde da mulher, realizando consultas periódicas e, muitas vezes, identificando precocemente doenças que afetam o sistema reprodutor. Portanto, a ginecologia é a base do diagnóstico e tratamento da infertilidade feminina.

Os andrologistas e urologistas são outros que têm responsabilidade quando se trata de infertilidade. São médicos especialistas em saúde masculina. A eles também cabe avaliar a qualidade seminal, identificar possíveis fatores (varicocele, alterações hormonais, obstruções no trato genital, entre outros), solicitar exames complementares e indicar os tratamentos adequados.

Veja, agora, outras áreas cujos profissionais podem contribuir para o sucesso dos tratamentos de reprodução assistida

Biologia e embriologia

Os biólogos e embriologistas têm funções relacionadas à coleta, análise e preservação de gametas, acompanhamento dos embriões em incubadora e outros procedimentos que exigem técnica, precisão e profundo conhecimento científico.

Genética

Os avanços no campo da genética trouxeram melhorias no cenário da reprodução assistida, com destaque ao teste genético pré-implantacional (PGT), que permite analisar o embrião antes da transferência e identificar alterações que possam comprometer o sucesso da gravidez ou a saúde do bebê.

Enfermagem

Profissionais de enfermagem podem atuar no acolhimento dos pacientes, assim como na organização e execução das etapas do tratamento. Eles oferecem suporte contínuo, ajudando a esclarecer dúvidas, reduzir a ansiedade e garantir que cada fase seja vivenciada com mais segurança e tranquilidade.

Psicologia

O apoio psicológico é essencial em todo o percurso do tratamento. Lidar com a infertilidade pode gerar sentimentos como ansiedade, frustração, medo e insegurança. Esse acompanhamento especializado favorece o processo como um todo, pois ajuda o indivíduo ou casal a compreender melhor suas emoções, fortalecer o vínculo conjugal, tomar decisões com clareza e, se preciso, lidar com os resultados negativos.

Nutrição

A saúde metabólica e nutricional tem influência direta na fertilidade. Excesso de peso, deficiências vitamínicas e dietas com efeitos inflamatórios, por exemplo, podem afetar a ovulação, a produção de espermatozoides, a qualidade dos gametas e até a receptividade uterina. A atuação de nutricionistas no contexto da fertilidade ajuda a otimizar a saúde hormonal e celular para melhorar as funções reprodutivas.

Acupuntura

A acupuntura é uma prática milenar que tem sido utilizada como terapia complementar no tratamento da infertilidade. As aplicações podem contribuir para a regulação hormonal, melhora da vascularização uterina, redução da ansiedade e alívio de sintomas físicos. 

Mais do que procedimentos clínicos e laboratoriais, os tratamentos de reprodução assistida envolvem tempo e dedicação (da equipe profissional e dos pacientes), além de expectativas, emoções e múltiplos cuidados com o corpo e a mente. 

Nesse cenário, a abordagem multidisciplinar amplia a atenção aos pacientes, oferece uma melhor experiência, aumenta as chances de sucesso e favorece o bem-estar e a saúde global das pessoas atendidas.

Aproveite e leia o texto sobre fertilização in vitro (FIV) para conhecer o passo a passo da técnica!



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Congelamento de Óvulos

Opção para mulheres que não queiram engravidar agora e querem preservar sua fertilidade ou para mulheres que possuem alguma condição médica que possa afetar sua fertilidade futuramente.

Consulta com especialista

  •  Realização de diversos exames para avaliar a resposta que a mulher terá ao estímulo ovariano para a coleta dos óvulos.

Estimulação ovariana e indução da ovulação

  • É feita uma combinação de medicamentos hormonais que ajudam a estimular o crescimento dos folículos que contêm os óvulos nos ovários.

Punção folicular

  • Retirada do líquido contido nos folículos, no qual ficam os óvulos.
  • Feito com o auxílio de uma agulha e de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;

Identificação e seleção dos óvulos

  • No laboratório de embriologia são identificados e selecionados os óvulos maduros e de qualidade para o congelamento.

Congelamento

  • Os óvulos selecionados são rapidamente congelados usando uma técnica chamada de vitrificação, que consiste em imersão em nitrogênio líquido em temperaturas extremamente baixas para preservá-los.

Armazenamento

  • São armazenados em um laboratório de Reprodução, geralmente por tempo indeterminado, até que a mulher esteja pronta para utilizá-los, podendo solicitar o descongelamento e utilizar os óvulos em ciclos de FIV, que é a etapa final do processo.
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Relação Sexual Programada (RSP)

Também conhecida como coito programado, ocorre de maneira natural e possui taxas de sucesso mais baixas.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.
  • O hCG provoca o rompimento dos folículos cerca de 36 horas após sua administração.

Tentativas de Gravidez:

  • Orientação ao casal sobre quais serão os dias mais férteis daquele ciclo – que são os dias que eles devem manter as relações sexuais.
  • O espermatozoide sobrevive cerca de 3 dias no sistema reprodutivo feminino e o óvulo cerca de 36h. Portanto, não é necessário estabelecer a hora exata para o coito e sim um período aproximado e muito assertivo.

Conclusão do RSP

  • O teste de gravidez pode ser feito, normalmente, após 14 dias para verificar o sucesso da técnica.

Chances de Sucesso

  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, muito similares às da inseminação artificial (IA).

Recomendação

  • Essa técnica é recomendada no máximo por três ciclos.
  • Após esse período, indicamos a FIV, pois outros fatores podem estar presentes, prejudicando a fertilidade e a FIV oferece mais recursos para superar esses problemas.
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Ovodoação – Recepção de Óvulos

Opção para mulheres inférteis, em virtude de baixa qualidade ou baixa reserva de óvulos.

Cadastro

  • Realização do cadastro da receptora no banco internacional de óvulos da Espanha e Argentina.

Scanner Facial

  • Após o cadastro é feita uma análise facial da receptora, onde são avaliados cerca de 12.000 pontos da face para identificar semelhanças com possíveis doadoras com características físicas e compatibilidade sanguínea da receptora.

Avaliação de Critérios

  • O banco de óvulos pode enviar à receptora informações sobre a doadora mais compatível segundo a análise detalhada, após isso, acontece a tomada da decisão para prosseguir com o tratamento proposto.
  • Antes da doação, a doadora é avaliada por uma equipe médica que verifica sua saúde geral, e diversos critérios.

Documentação

  • Após a seleção da doadora, a documentação é preparada para solicitar a vinda dos óvulos adquiridos do banco internacional para o laboratório.

Realização da fiv

  • A FIV é iniciada após a chegada dos óvulos. O processo de FIV envolve a fertilização dos óvulos com os espermatozoides em laboratório e a transferência do embrião resultante para o útero da receptora.
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Inseminação Artificial

Desenvolvida para aumentar as chances de gravidez em casos de infertilidade com alteração seminal leve, mulheres com idade até 35 anos e tubas uterinas saudáveis, casal homoafetivo feminino.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios, que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.

  • O óvulo sai do ovário e é capturado pelas tubas uterinas onde pode ser fecundado e posteriormente direcionado para o útero.

Coleta e capacitação seminal

  • O sêmen pode ser do parceiro ou de doador.
  • A coleta é feita no laboratório 02 horas antes da inseminação.

  • O sêmen deve ser analisado previamente e preparado a fim de ser depositado na cavidade uterina.

Inseminação

  • Utilizando um cateter, depositamos o sêmen preparado diretamente na cavidade uterina para facilitar o encontro do óvulo com o espermatozoide.
  • Procedimento é indolor e rápido, não havendo necessidade de repouso.

Conclusão da IA

  • O teste de gravidez é realizado 14 dias após a inseminação.
  • Caso o procedimento não seja bem-sucedido, é avaliado com o casal se é válido fazer uma nova tentativa ou se seguimos para a FIV.

Chances de Sucesso

  • O sucesso da IA depende de alguns fatores como a qualidade dos gametas.
  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, um valor inferior ao da FIV.
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Fertilização in vitro

Indicada para a maioria dos casos de infertilidade e apresenta as mais altas taxas de sucesso de gravidez.

Estimulação Ovariana e Indução da Ovulação

  • Preparação do corpo: Feita com medicamentos hormonais para estimular a ovulação e aumentar o crescimento de folículos.
  • Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é administrado o hormônio hCG. Após 35 horas, é realizada a coleta dos óvulos.

Punção Ovariana

  • Retirada dos ovócitos do ovário por meio de uma agulha guiada por ultrassom.
  • O sêmen é coletado no mesmo dia e enviado para separar os melhores espermatozoides e aumentar as chances de fecundação.

Fecundação Dos Óvulos

  • Dentre os espermatozoides coletados é identificado o melhor e colocado dentro de cada óvulo.
  •  Os embriões formados a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozoide são colocados em incubadoras para se desenvolverem. 

Cultivo Embrionário

  • Desenvolvimento do embrião: o embrião é mantido em um meio de cultivo durante um período de 5 dias, até que esteja em uma fase adequada para ser transferido ou congelado.

Transferência Embrionária

  • O embrião é colocado no útero para iniciar o processo de fixação, da mesma forma que acontece na gestação espontânea.
  • É nesse momento que pode haver uma maior ou menor possibilidade de gestação múltipla, podem ser transferidos até três embriões dependendo da idade da mulher.

Conclusão da FIV

  • Confirmação da gravidez: a gravidez é confirmada por meio de teste de sangue.
  • O exame é realizado em 10 dias após a transferência embrionária.
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