Reprodução assistida para casais homoafetivos: conheça as possibilidades

A reprodução assistida dispõe de técnicas para atender todos os indivíduos e casais que desejam ter filhos biológicos. Entre os avanços médicos e sociais, está a inclusão dos casais homoafetivos nos tratamentos de fertilidade.

Hoje, as técnicas da medicina reprodutiva são indicadas não apenas para quem enfrenta infertilidade, mas também para pessoas que não conseguem gerar filhos de maneira espontânea — o que inclui casais formados por duas mulheres ou por dois homens, bem como pessoas solteiras que querem ter um filho sem parceiro(a).

Você entenderá, neste artigo, como a reprodução assistida pode beneficiar casais homoafetivos e quais são os caminhos possíveis para formar uma família.

Quais técnicas podem ser indicadas para os casais homoafetivos masculinos?

Casais homoafetivos masculinos precisam necessariamente da participação de uma mulher para gerar o bebê. Por isso, duas técnicas essenciais estão envolvidas no processo: a ovodoação e a barriga de aluguel.

A ovodoação ou doação de óvulos é um procedimento em que uma mulher doa seus óvulos para outro casal. A doadora pode ser anônima ou uma parente de até 4º grau de um dos futuros pais. 

Os óvulos recebidos por ovodoação são fecundados em laboratório com a técnica de fertilização in vitro (FIV). No caso dos casais homoafetivos masculinos, os espermatozoides utilizados são de um dos parceiros, selecionados após avaliação da qualidade seminal e capacitação espermática.

A barriga de aluguel ou cessão temporária de útero — cujo nome mais apropriado é barriga solidária, uma vez que, no Brasil, essa prática não pode envolver lucros e comercialização — é uma técnica em que uma mulher se dispõe a gestar o filho de outro casal.

Assim, os embriões gerados na FIV com os óvulos doados são transferidos para o útero da gestante de substituição. Essa mulher não pode ser a mesma que doou os óvulos, conforme determina a legislação brasileira. 

A cedente temporária de útero deve ser uma parente de até quarto grau de um dos parceiros — como mãe, irmã, tia, sobrinha ou prima. Em situações específicas, é possível solicitar autorização ao Conselho Regional de Medicina para que a gestante de substituição seja uma pessoa fora desse grau de parentesco.

Como a reprodução assistida pode ajudar os casais homoafetivos femininos?

Casais homoafetivos femininos contam com mais possibilidades. Nesse caso, as duas parceiras têm útero e óvulos, sendo necessário somente a doação de sêmen. Veja quais técnicas podem ser utilizadas:

Inseminação artificial

Essa é a técnica mais simples. Após o preparo do sêmen doado por um banco autorizado, ele é inserido no útero da mulher escolhida para engravidar. A fase pré-ovulatória é acompanhada por ultrassonografias, e a inseminação é realizada em momento próximo à ovulação.

A escolha de quem será a gestante é feita pelo casal, mas também requer avaliação criteriosa da saúde da mulher. No caso da inseminação artificial, considera-se ideal que a paciente tenha menos de 35 anos (portanto, com óvulos jovens e saudáveis) e tenha tubas uterinas sem obstrução.

FIV

A FIV pode ser indicada para aumentar as chances de sucesso, especialmente quando o casal tem fatores que reduzem a fertilidade, como idade acima de 35 anos. Nessa técnica, os óvulos de uma das parceiras são fertilizados em laboratório com sêmen doado. O embrião é transferido para o útero da mulher que pretende gestar, seja a que cedeu os óvulos ou a outra.

Essa é uma possibilidade da FIV escolhida por muitos casais homoafetivos femininos: a gestação compartilhada, também chamada de Método ROPA (recepção de óvulos da parceira).

Com o método ROPA, as duas mulheres participam diretamente da gestação: uma fornece os óvulos e a outra é quem gesta o bebê. Isso permite que as duas mães criem um forte vínculo emocional com o filho desde a preparação para a gravidez, visto que as duas vivenciam essa experiência de forma ativa, uma como mãe genética e a outra como gestante.

O que diz a legislação sobre reprodução assistida para casais homoafetivos?

O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio das suas resoluções atualizadas, garante o direito ao acesso às técnicas de reprodução assistida a todas as pessoas que delas precisem: casais heteroafetivos com infertilidade, casais homoafetivos femininos e masculinos, mulheres e homens solteiros que queiram ter filhos de forma independente.

Os casais homoafetivos, portanto, têm respaldo legal para ter filhos biológicos com o apoio da medicina reprodutiva. A escolha da melhor técnica depende de avaliações médicas e das decisões do casal.

Como mostramos, os casais homoafetivos femininos têm mais facilidade para engravidar com as técnicas de reprodução assistida, mas os masculinos também encontram possibilidades para ter filhos biológicos.

A orientação de um especialista em reprodução humana é fundamental em todo esse processo, tanto para indicar os exames necessários quanto para apresentar os caminhos mais adequados, sempre com olhar individualizado, acolhimento, respeito e ética.

Quer ver mais detalhes dessas técnicas? Leia também o artigo: casais homoafetivos e reprodução assistida!

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Barriga Solidária e Paternidade Homoafetiva

Aspectos Jurídicos na cessão temporária de útero com Luiz Pimentel

Casal Homoafetivo e o sonho da gravidez



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Congelamento de Óvulos

Opção para mulheres que não queiram engravidar agora e querem preservar sua fertilidade ou para mulheres que possuem alguma condição médica que possa afetar sua fertilidade futuramente.

Consulta com especialista

  •  Realização de diversos exames para avaliar a resposta que a mulher terá ao estímulo ovariano para a coleta dos óvulos.

Estimulação ovariana e indução da ovulação

  • É feita uma combinação de medicamentos hormonais que ajudam a estimular o crescimento dos folículos que contêm os óvulos nos ovários.

Punção folicular

  • Retirada do líquido contido nos folículos, no qual ficam os óvulos.
  • Feito com o auxílio de uma agulha e de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;

Identificação e seleção dos óvulos

  • No laboratório de embriologia são identificados e selecionados os óvulos maduros e de qualidade para o congelamento.

Congelamento

  • Os óvulos selecionados são rapidamente congelados usando uma técnica chamada de vitrificação, que consiste em imersão em nitrogênio líquido em temperaturas extremamente baixas para preservá-los.

Armazenamento

  • São armazenados em um laboratório de Reprodução, geralmente por tempo indeterminado, até que a mulher esteja pronta para utilizá-los, podendo solicitar o descongelamento e utilizar os óvulos em ciclos de FIV, que é a etapa final do processo.
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Relação Sexual Programada (RSP)

Também conhecida como coito programado, ocorre de maneira natural e possui taxas de sucesso mais baixas.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.
  • O hCG provoca o rompimento dos folículos cerca de 36 horas após sua administração.

Tentativas de Gravidez:

  • Orientação ao casal sobre quais serão os dias mais férteis daquele ciclo – que são os dias que eles devem manter as relações sexuais.
  • O espermatozoide sobrevive cerca de 3 dias no sistema reprodutivo feminino e o óvulo cerca de 36h. Portanto, não é necessário estabelecer a hora exata para o coito e sim um período aproximado e muito assertivo.

Conclusão do RSP

  • O teste de gravidez pode ser feito, normalmente, após 14 dias para verificar o sucesso da técnica.

Chances de Sucesso

  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, muito similares às da inseminação artificial (IA).

Recomendação

  • Essa técnica é recomendada no máximo por três ciclos.
  • Após esse período, indicamos a FIV, pois outros fatores podem estar presentes, prejudicando a fertilidade e a FIV oferece mais recursos para superar esses problemas.
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Ovodoação – Recepção de Óvulos

Opção para mulheres inférteis, em virtude de baixa qualidade ou baixa reserva de óvulos.

Cadastro

  • Realização do cadastro da receptora no banco internacional de óvulos da Espanha e Argentina.

Scanner Facial

  • Após o cadastro é feita uma análise facial da receptora, onde são avaliados cerca de 12.000 pontos da face para identificar semelhanças com possíveis doadoras com características físicas e compatibilidade sanguínea da receptora.

Avaliação de Critérios

  • O banco de óvulos pode enviar à receptora informações sobre a doadora mais compatível segundo a análise detalhada, após isso, acontece a tomada da decisão para prosseguir com o tratamento proposto.
  • Antes da doação, a doadora é avaliada por uma equipe médica que verifica sua saúde geral, e diversos critérios.

Documentação

  • Após a seleção da doadora, a documentação é preparada para solicitar a vinda dos óvulos adquiridos do banco internacional para o laboratório.

Realização da fiv

  • A FIV é iniciada após a chegada dos óvulos. O processo de FIV envolve a fertilização dos óvulos com os espermatozoides em laboratório e a transferência do embrião resultante para o útero da receptora.
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Inseminação Artificial

Desenvolvida para aumentar as chances de gravidez em casos de infertilidade com alteração seminal leve, mulheres com idade até 35 anos e tubas uterinas saudáveis, casal homoafetivo feminino.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios, que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.

  • O óvulo sai do ovário e é capturado pelas tubas uterinas onde pode ser fecundado e posteriormente direcionado para o útero.

Coleta e capacitação seminal

  • O sêmen pode ser do parceiro ou de doador.
  • A coleta é feita no laboratório 02 horas antes da inseminação.

  • O sêmen deve ser analisado previamente e preparado a fim de ser depositado na cavidade uterina.

Inseminação

  • Utilizando um cateter, depositamos o sêmen preparado diretamente na cavidade uterina para facilitar o encontro do óvulo com o espermatozoide.
  • Procedimento é indolor e rápido, não havendo necessidade de repouso.

Conclusão da IA

  • O teste de gravidez é realizado 14 dias após a inseminação.
  • Caso o procedimento não seja bem-sucedido, é avaliado com o casal se é válido fazer uma nova tentativa ou se seguimos para a FIV.

Chances de Sucesso

  • O sucesso da IA depende de alguns fatores como a qualidade dos gametas.
  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, um valor inferior ao da FIV.
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Fertilização in vitro

Indicada para a maioria dos casos de infertilidade e apresenta as mais altas taxas de sucesso de gravidez.

Estimulação Ovariana e Indução da Ovulação

  • Preparação do corpo: Feita com medicamentos hormonais para estimular a ovulação e aumentar o crescimento de folículos.
  • Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é administrado o hormônio hCG. Após 35 horas, é realizada a coleta dos óvulos.

Punção Ovariana

  • Retirada dos ovócitos do ovário por meio de uma agulha guiada por ultrassom.
  • O sêmen é coletado no mesmo dia e enviado para separar os melhores espermatozoides e aumentar as chances de fecundação.

Fecundação Dos Óvulos

  • Dentre os espermatozoides coletados é identificado o melhor e colocado dentro de cada óvulo.
  •  Os embriões formados a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozoide são colocados em incubadoras para se desenvolverem. 

Cultivo Embrionário

  • Desenvolvimento do embrião: o embrião é mantido em um meio de cultivo durante um período de 5 dias, até que esteja em uma fase adequada para ser transferido ou congelado.

Transferência Embrionária

  • O embrião é colocado no útero para iniciar o processo de fixação, da mesma forma que acontece na gestação espontânea.
  • É nesse momento que pode haver uma maior ou menor possibilidade de gestação múltipla, podem ser transferidos até três embriões dependendo da idade da mulher.

Conclusão da FIV

  • Confirmação da gravidez: a gravidez é confirmada por meio de teste de sangue.
  • O exame é realizado em 10 dias após a transferência embrionária.
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