O congelamento de óvulos é uma técnica importante da medicina reprodutiva moderna. Muitas mulheres têm recorrido a essa possibilidade para preservar sua fertilidade, seja por questões pessoais, profissionais, médicas ou simplesmente por desejo de adiar a maternidade para um momento mais adequado.
Com o aumento da procura pelo procedimento, também surgiram dúvidas. As mulheres têm questionado, por exemplo, se podem congelar óvulos enquanto usam DIU: na maioria dos casos, o uso do dispositivo intrauterino não impede que a técnica seja realizada.
Veja, neste artigo, quando e por que congelar óvulos, e descubra se isso pode ser feito durante o uso do DIU!
O que é DIU?
O dispositivo intrauterino, conhecido pela sigla DIU, é um método contraceptivo de longa duração que é posicionado dentro do útero por um ginecologista. Existem dois tipos principais:
- o DIU de cobre, que não contém hormônios, mas age criando um ambiente hostil aos espermatozoides, dificultando sua movimentação e impedindo o acesso à tuba uterina, onde há normalmente o encontro com o óvulo;
- o DIU hormonal (com levonorgestrel), que libera pequenas quantidades do hormônio progesterona de forma localizada, que além das ações acima mencionadas em relação ao DIU não hormonal, causa ainda o afinamento do endométrio (revestimento interno do útero, no qual o embrião se implanta) e espessamento do muco cervical.
Tanto o DIU de cobre quanto o hormonal apresentam grande eficácia na prevenção da gravidez e não interferem diretamente na ovulação, ou seja, os ovários podem continuar funcionando normalmente.
Por que congelar óvulos e como isso é feito?

O congelamento ou criopreservação de óvulos é uma técnica empregada no campo da reprodução humana assistida. O objetivo é possibilitar que a mulher preserve sua fertilidade para engravidar no futuro.
É possível optar por congelar óvulos nas seguintes situações:
- decisão de adiar a maternidade por motivos pessoais, profissionais ou falta de um parceiro que tenha a intenção de ter filhos no momento;
- necessidade de realizar tratamentos médicos que possam afetar a fertilidade, como quimioterapia, radioterapia e cirurgia para retirada de tumores dos órgãos reprodutores;
- histórico familiar de menopausa precoce;
- diagnóstico de condições autoimunes ou genéticas que aumentam o risco de falência ovariana prematura, como a pré-mutação do X frágil;
- cirurgia ovariana para retirar endometrioma (cisto causado por endometriose) ou outras doenças benignas que possam comprometer a reserva ovariana.
Para congelar os óvulos, é preciso seguir alguns passos. Primeiramente, realiza-se a avaliação da reserva ovariana para ter uma estimativa da quantidade de óvulos disponíveis. Em seguida, com base nos resultados dos exames, é definido o protocolo de estimulação ovariana e indução da ovulação.
A estimulação ovariana é feita com medicações que produzem efeitos semelhantes aos dos hormônios femininos, os quais são responsáveis por estimular o crescimento dos folículos ovarianos — dentro de cada folículo pode ter um óvulo.
O desenvolvimento folicular é acompanhado com exames de ultrassonografia e, no momento apropriado, é feita a indução da ovulação. Antes que os óvulos sejam liberados, a punção é realizada, isto é, os óvulos são aspirados dos ovários e colocados em criopreservação.
A técnica utilizada para congelar os óvulos é a vitrificação, um método de congelamento ultrarrápido que não oferece danos às células. Dessa forma, a qualidade e a viabilidade dos materiais genéticos são mantidas mesmo que eles fiquem anos mantidos em tanques de nitrogênio.
Futuramente, os óvulos congelados poderão ser utilizados em uma fertilização in vitro (FIV) — essa é a única forma de fertilizar esses gametas, visto que eles não podem ser novamente colocados nos ovários para o processo natural de ovulação e fecundação.
Afinal, é possível congelar óvulos usando DIU?
Sim, você pode congelar os óvulos sem precisar remover o dispositivo. O DIU fica dentro da cavidade uterina, enquanto os ovários se localizam lateralmente ao útero. Então, o procedimento de punção dos óvulos após a estimulação ovariana é feito diretamente nos ovários, não havendo nenhuma necessidade de mexer no útero.
Outra dúvida que as pacientes têm é em relação ao uso de DIU hormonal, se ele pode interferir na indução da ovulação. A resposta é não. Isso porque a liberação de hormônios do dispositivo ocorre somente dentro da cavidade uterina, e os ovários não são bloqueados, portanto a mulher continua ovulando normalmente.
É oportuno esclarecer que, no caso de mulheres que usam implante hormonal subcutâneo, geralmente também não é necessário retirá-lo para fazer a estimulação ovariana e congelar os óvulos. Por mais que o implante tenha a ação de bloquear a ovulação, as medicações usadas para estimular os ovários conseguem quebrar esse efeito. Depois, o dispositivo voltará a funcionar normalmente.
Quando há baixa reserva ovariana, a retirada do implante hormonal pode ser considerada para otimizar a estimulação ovariana. No entanto, isso não significa que os resultados serão superiores, visto que a baixa reserva, por si só, dificulta a captação de um bom número de óvulos.
Se você está pensando em congelar óvulos, mas usa DIU, converse com um médico especialista em ginecologia e medicina reprodutiva. Durante a avaliação inicial, serão feitos exames para avaliação da reserva ovariana e orientação sobre o momento ideal de realizar o procedimento — quanto mais cedo o congelamento for feito, preferencialmente antes dos 35 anos, melhores serão as chances de sucesso no futuro. Aos 30 anos, já está recomendado o congelamento de óvulos. Pense nisso!
Fique um pouco mais e leia outro texto para compreender melhor como funciona o congelamento de óvulos!






























