Anovulação e reserva ovariana

Ao nascer, toda mulher carrega uma quantidade definida de óvulos — a chamada reserva ovariana. Essa reserva não se renova com o tempo: ao contrário, vai diminuindo progressivamente ao longo da vida. A redução tanto da quantidade quanto da qualidade desses óvulos tende a afetar a fertilidade feminina.

O avanço da idade é, de fato, um dos principais fatores da redução da reserva ovariana. Isso ocorre porque, em cada ciclo menstrual, vários folículos ovarianos começam a se desenvolver, mas geralmente apenas um dos óvulos é liberado no processo conhecido como ovulação.

Além da idade, algumas mulheres desenvolvem condições ao longo da vida fértil que desencadeiam anovulação (passam por ciclos sem ovulação). Trata-se de um problema comumente associado a disfunções hormonais, sobretudo a síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Neste texto, você poderá entender melhor os conceitos de anovulação e reserva ovariana e verá como a infertilidade feminina pode ser superada. Preste atenção nas informações a seguir!

A ovulação no ciclo menstrual: como acontece?

O ciclo menstrual é regulado por uma complexa interação de hormônios secretados pela hipófise e pelos ovários. Um ciclo regular tem duração aproximada de 28 dias e passa por 2 fases: folicular e lútea. A ovulação está no centro, marcando a divisão dessas duas fases.

A menstruação marca o início de um ciclo menstrual. Nas duas primeiras semanas ocorre a fase folicular, na qual a glândula cerebral hipófise libera os hormônios folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH). Essas substâncias são as gonadotrofinas, elas cumprem a ação de estimular o crescimento de folículos ovarianos e o amadurecimento de um deles. 

Na metade do ciclo menstrual, um dos folículos ovarianos amadurece após um aumento súbito de LH, que também leva à ruptura folicular. Assim, um óvulo maduro é liberado e poderá ser fertilizado na tuba uterina. Os dias próximos à ovulação caracterizam o período fértil da mulher.

Após liberar o óvulo, o folículo ovariano se transforma em uma glândula temporária chamada corpo-lúteo, que tem a função de produzir progesterona. Esse hormônio é necessário para preparar o útero, melhorando a receptividade do endométrio (camada uterina interna) para um embrião se implantar.

Se não houver fecundação e implantação embrionária, o corpo-lúteo se desfaz e a camada funcional do endométrio se desprende, produzindo o sangramento da menstruação. Então, um novo ciclo começa.

O que é anovulação e quais são suas causas?

Anovulação é o nome dado à ausência de ovulação em um ciclo menstrual. Pode ser episódica (em ciclos isolados) ou crônica. O principal indício é a irregularidade menstrual. Algumas mulheres chegam a passar vários meses sem menstruação ou apresentar ciclos com intervalos muito longos.

As principais causas de anovulação incluem:

  • síndrome dos ovários policísticos;
  • distúrbios hormonais decorrentes de problemas em outras glândulas endócrinas, como doenças da tireoide ou tumor na hipófise;
  • hiperprolactinemia (excesso do hormônio prolactina);
  • excesso de peso ou magreza extrema;
  • alguns fatores do estilo de vida que podem causar disfunção no eixo hipotálamo-hipófise, como estresse constante ou atividade física intensa;
  • falência ovariana prematura;
  • uso de determinados medicamentos.

Anovulação e reserva ovariana: qual é a relação?

Uma dúvida comum entre as pacientes que não ovulam regularmente é se os ciclos anovulatórios também consomem a reserva ovariana. Sim, isso acontece, pois mesmo quando não há ovulação, os folículos ovarianos são recrutados para o desenvolvimento e, como não são liberados, entram em um processo de perda natural chamado de atresia.

Ou seja, a reserva ovariana continua reduzindo mesmo quando a mulher não ovula regularmente, já que os folículos são recrutados, mas não são utilizados de forma eficaz. Além disso, algumas causas da anovulação, como a falência ovariana prematura, já estão associadas à baixa reserva de óvulos.

Com falência ovariana prematura, a mulher entra na menopausa antes dos 40 anos. Isso significa que sua reserva ovariana se esgotou antes do tempo e os ovários não vão mais desempenhar suas funções.

Por que a anovulação causa infertilidade?

A ovulação é a primeira etapa necessária para que uma gestação aconteça. Obviamente, se não houver liberação do óvulo, a fecundação não ocorre. Por isso, a anovulação está entre as principais causas de infertilidade feminina.

Mesmo em casos de anovulação intermitente (ovulação infrequente ou oligovulação), a mulher tende a enfrentar dificuldade para engravidar, pois os ciclos férteis se tornam imprevisíveis. Já nas condições crônicas, como na SOP não tratada, a chance de gravidez espontânea é bastante reduzida.

O diagnóstico é feito com base em exames hormonais, avaliação do histórico menstrual e ultrassonografia pélvica transvaginal para observar os ovários. O acompanhamento com ginecologista especializado em reprodução humana é importante para definir o tratamento mais adequado para a mulher que deseja engravidar. O principal sintoma do quadro de anovulação é a falta de menstruação ou longos intervalos entre as menstruações, acima de 35 dias. 

Quais são as técnicas de reprodução assistida em casos de anovulação?

A maioria dos casos de anovulação pode ser tratada com sucesso. Assim, muitas mulheres conseguem engravidar com o acompanhamento adequado.

Em ciclos anovulatórios causados por SOP, por exemplo, é possível utilizar medicamentos para induzir a ovulação, com alta taxa de resposta. Quando as abordagens mais simples não funcionam, a fertilização in vitro (FIV) pode ser indicada. 

Na FIV, os ovários são estimulados com protocolos de medicação hormonal, pois o objetivo é promover o desenvolvimento de muitos folículos. Depois, os óvulos são coletados antes da ovulação e fecundados em laboratório.

Mulheres que apresentam reserva ovariana muito reduzida e não respondem à estimulação dos ovários, ou que têm diagnóstico de falência ovariana prematura, também podem considerar a ovodoação/recepção de óvulos como uma alternativa para engravidar.

Continue ficando bem-informada com a leitura do artigo sobre a síndrome dos ovários policísticos!



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O sonho de nossos pacientes também passa a ser nosso e, para torná-lo realidade, não medimos esforços.

Congelamento de Óvulos

Opção para mulheres que não queiram engravidar agora e querem preservar sua fertilidade ou para mulheres que possuem alguma condição médica que possa afetar sua fertilidade futuramente.

Consulta com especialista

  •  Realização de diversos exames para avaliar a resposta que a mulher terá ao estímulo ovariano para a coleta dos óvulos.

Estimulação ovariana e indução da ovulação

  • É feita uma combinação de medicamentos hormonais que ajudam a estimular o crescimento dos folículos que contêm os óvulos nos ovários.

Punção folicular

  • Retirada do líquido contido nos folículos, no qual ficam os óvulos.
  • Feito com o auxílio de uma agulha e de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;

Identificação e seleção dos óvulos

  • No laboratório de embriologia são identificados e selecionados os óvulos maduros e de qualidade para o congelamento.

Congelamento

  • Os óvulos selecionados são rapidamente congelados usando uma técnica chamada de vitrificação, que consiste em imersão em nitrogênio líquido em temperaturas extremamente baixas para preservá-los.

Armazenamento

  • São armazenados em um laboratório de Reprodução, geralmente por tempo indeterminado, até que a mulher esteja pronta para utilizá-los, podendo solicitar o descongelamento e utilizar os óvulos em ciclos de FIV, que é a etapa final do processo.
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Relação Sexual Programada (RSP)

Também conhecida como coito programado, ocorre de maneira natural e possui taxas de sucesso mais baixas.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.
  • O hCG provoca o rompimento dos folículos cerca de 36 horas após sua administração.

Tentativas de Gravidez:

  • Orientação ao casal sobre quais serão os dias mais férteis daquele ciclo – que são os dias que eles devem manter as relações sexuais.
  • O espermatozoide sobrevive cerca de 3 dias no sistema reprodutivo feminino e o óvulo cerca de 36h. Portanto, não é necessário estabelecer a hora exata para o coito e sim um período aproximado e muito assertivo.

Conclusão do RSP

  • O teste de gravidez pode ser feito, normalmente, após 14 dias para verificar o sucesso da técnica.

Chances de Sucesso

  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, muito similares às da inseminação artificial (IA).

Recomendação

  • Essa técnica é recomendada no máximo por três ciclos.
  • Após esse período, indicamos a FIV, pois outros fatores podem estar presentes, prejudicando a fertilidade e a FIV oferece mais recursos para superar esses problemas.
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Ovodoação – Recepção de Óvulos

Opção para mulheres inférteis, em virtude de baixa qualidade ou baixa reserva de óvulos.

Cadastro

  • Realização do cadastro da receptora no banco internacional de óvulos da Espanha e Argentina.

Scanner Facial

  • Após o cadastro é feita uma análise facial da receptora, onde são avaliados cerca de 12.000 pontos da face para identificar semelhanças com possíveis doadoras com características físicas e compatibilidade sanguínea da receptora.

Avaliação de Critérios

  • O banco de óvulos pode enviar à receptora informações sobre a doadora mais compatível segundo a análise detalhada, após isso, acontece a tomada da decisão para prosseguir com o tratamento proposto.
  • Antes da doação, a doadora é avaliada por uma equipe médica que verifica sua saúde geral, e diversos critérios.

Documentação

  • Após a seleção da doadora, a documentação é preparada para solicitar a vinda dos óvulos adquiridos do banco internacional para o laboratório.

Realização da fiv

  • A FIV é iniciada após a chegada dos óvulos. O processo de FIV envolve a fertilização dos óvulos com os espermatozoides em laboratório e a transferência do embrião resultante para o útero da receptora.
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Inseminação Artificial

Desenvolvida para aumentar as chances de gravidez em casos de infertilidade com alteração seminal leve, mulheres com idade até 35 anos e tubas uterinas saudáveis, casal homoafetivo feminino.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios, que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.

  • O óvulo sai do ovário e é capturado pelas tubas uterinas onde pode ser fecundado e posteriormente direcionado para o útero.

Coleta e capacitação seminal

  • O sêmen pode ser do parceiro ou de doador.
  • A coleta é feita no laboratório 02 horas antes da inseminação.

  • O sêmen deve ser analisado previamente e preparado a fim de ser depositado na cavidade uterina.

Inseminação

  • Utilizando um cateter, depositamos o sêmen preparado diretamente na cavidade uterina para facilitar o encontro do óvulo com o espermatozoide.
  • Procedimento é indolor e rápido, não havendo necessidade de repouso.

Conclusão da IA

  • O teste de gravidez é realizado 14 dias após a inseminação.
  • Caso o procedimento não seja bem-sucedido, é avaliado com o casal se é válido fazer uma nova tentativa ou se seguimos para a FIV.

Chances de Sucesso

  • O sucesso da IA depende de alguns fatores como a qualidade dos gametas.
  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, um valor inferior ao da FIV.
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Fertilização in vitro

Indicada para a maioria dos casos de infertilidade e apresenta as mais altas taxas de sucesso de gravidez.

Estimulação Ovariana e Indução da Ovulação

  • Preparação do corpo: Feita com medicamentos hormonais para estimular a ovulação e aumentar o crescimento de folículos.
  • Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é administrado o hormônio hCG. Após 35 horas, é realizada a coleta dos óvulos.

Punção Ovariana

  • Retirada dos ovócitos do ovário por meio de uma agulha guiada por ultrassom.
  • O sêmen é coletado no mesmo dia e enviado para separar os melhores espermatozoides e aumentar as chances de fecundação.

Fecundação Dos Óvulos

  • Dentre os espermatozoides coletados é identificado o melhor e colocado dentro de cada óvulo.
  •  Os embriões formados a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozoide são colocados em incubadoras para se desenvolverem. 

Cultivo Embrionário

  • Desenvolvimento do embrião: o embrião é mantido em um meio de cultivo durante um período de 5 dias, até que esteja em uma fase adequada para ser transferido ou congelado.

Transferência Embrionária

  • O embrião é colocado no útero para iniciar o processo de fixação, da mesma forma que acontece na gestação espontânea.
  • É nesse momento que pode haver uma maior ou menor possibilidade de gestação múltipla, podem ser transferidos até três embriões dependendo da idade da mulher.

Conclusão da FIV

  • Confirmação da gravidez: a gravidez é confirmada por meio de teste de sangue.
  • O exame é realizado em 10 dias após a transferência embrionária.
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