Como preservar a fertilidade diante do câncer

Como preservar a fertilidade diante do câncer

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Tempo de leitura: 5 minutos

Receber um diagnóstico de câncer costuma trazer muitas decisões urgentes. Entre exames, consultas e o início do tratamento, o desejo de ter filhos no futuro pode parecer uma preocupação distante – mas não precisa ser deixado de lado. Saber como preservar fertilidade câncer antes da quimioterapia, da radioterapia ou de algumas cirurgias permite incluir o projeto reprodutivo no plano de cuidado desde o começo.

A preservação da fertilidade não altera a prioridade do tratamento oncológico. Ela é planejada em conjunto com a equipe que acompanha o câncer, buscando aproveitar a janela de tempo disponível com segurança. Cada história exige uma avaliação individual: tipo e estágio do tumor, urgência terapêutica, idade, reserva ovariana ou função testicular, desejo reprodutivo e possibilidade de uma gestação futura são fatores que orientam a decisão.

Por que o câncer e seus tratamentos podem afetar a fertilidade?

O câncer em si, dependendo de sua localização e das condições clínicas associadas, pode interferir na fertilidade. Porém, em muitos casos, o principal risco está nos tratamentos necessários para combatê-lo.

A quimioterapia pode reduzir a quantidade e a qualidade dos óvulos e, em alguns protocolos, antecipar a insuficiência ovariana. Nos homens, certos medicamentos podem prejudicar temporária ou definitivamente a produção de espermatozoides. O impacto varia conforme as drogas utilizadas, as doses, a idade e a resposta individual.

A radioterapia também merece atenção, especialmente quando aplicada na região pélvica, abdominal, cerebral ou próxima aos testículos. A exposição dos ovários e testículos à radiação pode comprometer sua função. Já algumas cirurgias, sobretudo as realizadas em órgãos reprodutivos ou estruturas próximas, podem afetar a possibilidade de gestação ou a coleta de gametas.

Isso não significa que toda pessoa tratada por câncer ficará infértil. Também não é possível prometer que haverá preservação completa da função reprodutiva. O objetivo é avaliar o risco real e, quando indicado, criar a melhor oportunidade possível para o futuro.

Como preservar a fertilidade no câncer antes do tratamento

O encaminhamento precoce para um especialista em reprodução humana é decisivo. Idealmente, a conversa deve acontecer logo após a definição inicial do diagnóstico e antes do início da terapia oncológica. Mesmo quando o tempo é curto, há alternativas que podem ser consideradas.

Congelamento de óvulos

Para mulheres que não têm parceiro ou não desejam definir o uso de sêmen naquele momento, o congelamento de óvulos é uma das estratégias mais utilizadas. O processo envolve estimulação ovariana com medicamentos, acompanhamento por ultrassonografia e exames hormonais, seguida da coleta dos óvulos por punção guiada por ultrassom.

Após a coleta, os óvulos maduros são vitrificados, uma técnica de congelamento rápido que busca preservar suas características para uso posterior. Quando houver desejo de gravidez, eles poderão ser descongelados e fertilizados em laboratório por meio da fertilização in vitro, geralmente com ICSI.

Em situações oncológicas, o protocolo pode ser iniciado em diferentes momentos do ciclo menstrual, sem a necessidade de esperar uma menstruação específica. Ainda assim, o prazo necessário e a segurança hormonal precisam ser discutidos caso a caso, principalmente em tumores sensíveis a hormônios.

Congelamento de embriões

Quando há um parceiro ou parceira que fornecerá sêmen e existe decisão compartilhada sobre o destino dos embriões, pode-se optar pelo congelamento de embriões. Os óvulos são coletados, fertilizados em laboratório e os embriões viáveis são criopreservados.

Essa alternativa pode oferecer informações adicionais sobre o desenvolvimento embrionário, mas envolve uma escolha que merece conversa cuidadosa. É essencial compreender os aspectos emocionais, legais e éticos relacionados ao armazenamento e ao futuro uso dos embriões. A decisão deve ser documentada com clareza e respeitar a autonomia de todas as pessoas envolvidas.

Criopreservação de sêmen

Para homens e adolescentes que já produzem sêmen, o congelamento seminal costuma ser um procedimento simples e rápido. A amostra é coletada, analisada e congelada para utilização futura em tratamentos como inseminação intrauterina ou fertilização in vitro, conforme as características do material e o contexto do casal ou da pessoa.

Quando não há espermatozoides no ejaculado, ou quando a coleta convencional não é viável, a equipe pode avaliar a obtenção de espermatozoides diretamente do testículo ou epidídimo. A indicação depende do quadro clínico, do tempo disponível e da avaliação conjunta entre reprodução humana, oncologia e, quando necessário, urologia.

Congelamento de tecido ovariano e testicular

A criopreservação de tecido ovariano é uma possibilidade especialmente relevante para meninas antes da puberdade, mulheres que precisam iniciar o tratamento imediatamente ou pacientes para quem a estimulação ovariana não é indicada. Por meio de cirurgia, retira-se uma porção do córtex ovariano, onde estão os folículos, para congelamento.

No futuro, o tecido pode ser reimplantado em situações selecionadas. É uma técnica que exige indicação criteriosa, pois alguns tipos de câncer podem apresentar risco de células malignas no tecido retirado. Por isso, a decisão requer avaliação altamente individualizada e centros com experiência nessa abordagem.

Em meninos pré-púberes, o congelamento de tecido testicular pode ser discutido em contextos específicos. Trata-se de uma estratégia ainda em desenvolvimento para uso reprodutivo futuro, e sua indicação deve ser explicada com absoluta transparência às famílias.

Preservar a fertilidade não é adiar o tratamento do câncer

Uma preocupação frequente é que a preservação reprodutiva atrase o início da terapia oncológica. Em muitos casos, é possível organizar a coleta de óvulos ou sêmen sem comprometer o planejamento do tratamento. Mas essa não é uma regra automática: alguns tumores exigem intervenção imediata, e a segurança oncológica sempre orienta o caminho.

A comunicação entre especialistas faz diferença. Oncologista, cirurgião, hematologista, mastologista, radioterapeuta, especialista em reprodução humana, psicologia e enfermagem podem atuar de forma integrada para alinhar prazos, riscos e expectativas. A pessoa em tratamento deve receber informações claras para decidir sem culpa e sem pressão.

Também é fundamental entender que preservar óvulos, embriões ou sêmen não garante uma gravidez futura. As chances dependem de idade no momento da coleta, número e qualidade dos gametas, condições uterinas, saúde após o tratamento e outros fatores. Ainda assim, a criopreservação pode ampliar as possibilidades reprodutivas em um momento em que o futuro parece incerto.

O que perguntar na primeira consulta?

A consulta de preservação da fertilidade deve oferecer espaço para dúvidas práticas e emocionais. Vale perguntar sobre o risco de infertilidade relacionado ao protocolo oncológico, o tempo disponível antes do tratamento, as opções adequadas para sua idade e condição clínica, os efeitos esperados, as taxas de sucesso e os custos envolvidos.

Também é válido conversar sobre contracepção durante o tratamento, possibilidade de menopausa precoce, acompanhamento da função ovariana ou testicular após a terapia e o momento seguro para planejar uma gestação. Não existe um prazo único para todas as pessoas: ele depende do tipo de câncer, do tratamento realizado, do risco de recidiva e da recuperação clínica.

Para quem já tem filhos ou ainda não tem certeza sobre a maternidade ou paternidade, a conversa continua sendo pertinente. Preservar a fertilidade é manter uma possibilidade de escolha, não assumir uma obrigação de engravidar no futuro.

Cuidado médico e acolhimento para decisões sensíveis

Diante de um diagnóstico oncológico, ninguém deveria sentir que precisa escolher entre cuidar da própria vida e cuidar de um sonho de família. A prioridade é tratar o câncer com a melhor conduta disponível. Ao mesmo tempo, quando há indicação e tempo clínico, a fertilidade pode ser considerada como parte legítima desse cuidado.

Na Clínica de Reprodução Humana Dra. Adriana de Góes Soligo, a avaliação é conduzida com atenção aos aspectos médicos, emocionais e éticos de cada caso, em diálogo com a equipe oncológica. Conte com informação qualificada, carinho e dedicação para transformar uma decisão difícil em um plano possível, respeitando o seu tempo e a sua história.

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Congelamento de Óvulos

Opção para mulheres que não queiram engravidar agora e querem preservar sua fertilidade ou para mulheres que possuem alguma condição médica que possa afetar sua fertilidade futuramente.

Consulta com especialista

  •  Realização de diversos exames para avaliar a resposta que a mulher terá ao estímulo ovariano para a coleta dos óvulos.

Estimulação ovariana e indução da ovulação

  • É feita uma combinação de medicamentos hormonais que ajudam a estimular o crescimento dos folículos que contêm os óvulos nos ovários.

Punção folicular

  • Retirada do líquido contido nos folículos, no qual ficam os óvulos.
  • Feito com o auxílio de uma agulha e de forma indolor, pois a paciente é anestesiada;

Identificação e seleção dos óvulos

  • No laboratório de embriologia são identificados e selecionados os óvulos maduros e de qualidade para o congelamento.

Congelamento

  • Os óvulos selecionados são rapidamente congelados usando uma técnica chamada de vitrificação, que consiste em imersão em nitrogênio líquido em temperaturas extremamente baixas para preservá-los.

Armazenamento

  • São armazenados em um laboratório de Reprodução, geralmente por tempo indeterminado, até que a mulher esteja pronta para utilizá-los, podendo solicitar o descongelamento e utilizar os óvulos em ciclos de FIV, que é a etapa final do processo.
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Relação Sexual Programada (RSP)

Também conhecida como coito programado, ocorre de maneira natural e possui taxas de sucesso mais baixas.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.
  • O hCG provoca o rompimento dos folículos cerca de 36 horas após sua administração.

Tentativas de Gravidez:

  • Orientação ao casal sobre quais serão os dias mais férteis daquele ciclo – que são os dias que eles devem manter as relações sexuais.
  • O espermatozoide sobrevive cerca de 3 dias no sistema reprodutivo feminino e o óvulo cerca de 36h. Portanto, não é necessário estabelecer a hora exata para o coito e sim um período aproximado e muito assertivo.

Conclusão do RSP

  • O teste de gravidez pode ser feito, normalmente, após 14 dias para verificar o sucesso da técnica.

Chances de Sucesso

  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, muito similares às da inseminação artificial (IA).

Recomendação

  • Essa técnica é recomendada no máximo por três ciclos.
  • Após esse período, indicamos a FIV, pois outros fatores podem estar presentes, prejudicando a fertilidade e a FIV oferece mais recursos para superar esses problemas.
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Ovodoação – Recepção de Óvulos

Opção para mulheres inférteis, em virtude de baixa qualidade ou baixa reserva de óvulos.

Cadastro

  • Realização do cadastro da receptora no banco internacional de óvulos da Espanha e Argentina.

Scanner Facial

  • Após o cadastro é feita uma análise facial da receptora, onde são avaliados cerca de 12.000 pontos da face para identificar semelhanças com possíveis doadoras com características físicas e compatibilidade sanguínea da receptora.

Avaliação de Critérios

  • O banco de óvulos pode enviar à receptora informações sobre a doadora mais compatível segundo a análise detalhada, após isso, acontece a tomada da decisão para prosseguir com o tratamento proposto.
  • Antes da doação, a doadora é avaliada por uma equipe médica que verifica sua saúde geral, e diversos critérios.

Documentação

  • Após a seleção da doadora, a documentação é preparada para solicitar a vinda dos óvulos adquiridos do banco internacional para o laboratório.

Realização da fiv

  • A FIV é iniciada após a chegada dos óvulos. O processo de FIV envolve a fertilização dos óvulos com os espermatozoides em laboratório e a transferência do embrião resultante para o útero da receptora.
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Inseminação Artificial

Desenvolvida para aumentar as chances de gravidez em casos de infertilidade com alteração seminal leve, mulheres com idade até 35 anos e tubas uterinas saudáveis, casal homoafetivo feminino.

Estimulação Ovariana

  • Tem o objetivo de estimular os ovários a produzirem de 1 a 3 folículos durante o ciclo menstrual.
  • São utilizados medicamentos orais ou injetáveis à base de hormônios, que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos.

Indução da Ovulação

  • Administração do hormônio HCG para provocar a ruptura dos folículos.

  • O óvulo sai do ovário e é capturado pelas tubas uterinas onde pode ser fecundado e posteriormente direcionado para o útero.

Coleta e capacitação seminal

  • O sêmen pode ser do parceiro ou de doador.
  • A coleta é feita no laboratório 02 horas antes da inseminação.

  • O sêmen deve ser analisado previamente e preparado a fim de ser depositado na cavidade uterina.

Inseminação

  • Utilizando um cateter, depositamos o sêmen preparado diretamente na cavidade uterina para facilitar o encontro do óvulo com o espermatozoide.
  • Procedimento é indolor e rápido, não havendo necessidade de repouso.

Conclusão da IA

  • O teste de gravidez é realizado 14 dias após a inseminação.
  • Caso o procedimento não seja bem-sucedido, é avaliado com o casal se é válido fazer uma nova tentativa ou se seguimos para a FIV.

Chances de Sucesso

  • O sucesso da IA depende de alguns fatores como a qualidade dos gametas.
  • Esse índice é de aproximadamente 18% a 20% em cada tentativa, um valor inferior ao da FIV.
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Fertilização in vitro

Indicada para a maioria dos casos de infertilidade e apresenta as mais altas taxas de sucesso de gravidez.

Estimulação Ovariana e Indução da Ovulação

  • Preparação do corpo: Feita com medicamentos hormonais para estimular a ovulação e aumentar o crescimento de folículos.
  • Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é administrado o hormônio hCG. Após 35 horas, é realizada a coleta dos óvulos.

Punção Ovariana

  • Retirada dos ovócitos do ovário por meio de uma agulha guiada por ultrassom.
  • O sêmen é coletado no mesmo dia e enviado para separar os melhores espermatozoides e aumentar as chances de fecundação.

Fecundação Dos Óvulos

  • Dentre os espermatozoides coletados é identificado o melhor e colocado dentro de cada óvulo.
  •  Os embriões formados a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozoide são colocados em incubadoras para se desenvolverem. 

Cultivo Embrionário

  • Desenvolvimento do embrião: o embrião é mantido em um meio de cultivo durante um período de 5 dias, até que esteja em uma fase adequada para ser transferido ou congelado.

Transferência Embrionária

  • O embrião é colocado no útero para iniciar o processo de fixação, da mesma forma que acontece na gestação espontânea.
  • É nesse momento que pode haver uma maior ou menor possibilidade de gestação múltipla, podem ser transferidos até três embriões dependendo da idade da mulher.

Conclusão da FIV

  • Confirmação da gravidez: a gravidez é confirmada por meio de teste de sangue.
  • O exame é realizado em 10 dias após a transferência embrionária.
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