Congelar óvulos é uma tendência na medicina reprodutiva moderna e uma importante possibilidade para as mulheres que querem ter mais autonomia para decidir sobre o momento oportuno de se tornar mãe.
Os óvulos são as células reprodutivas femininas (assim como os espermatozoides são as do homem) e têm uma função central na fertilidade. São eles que, quando fertilizados por um gameta masculino, dão início ao desenvolvimento de um embrião e, consequentemente, de uma gestação.
Entender o que muda na fertilidade feminina ao longo dos anos e por que congelar óvulos pode ser vantajoso é relevante para que a mulher possa planejar sua maternidade de forma mais consciente.
Confira as informações deste post e reflita sobre a possibilidade e a importância de congelar óvulos!
O que acontece com os óvulos com o passar do tempo?
Diferentemente de vários outros tipos de células do corpo humano, os óvulos não são renovados ao longo da vida. A mulher já nasce com uma quantidade finita deles, chamada reserva ovariana.
A partir da puberdade, a reserva ovariana passa por uma redução lenta e contínua. A cada ciclo menstrual, diversos óvulos começam a amadurecer, e geralmente apenas um deles chega à ovulação.
Com o passar dos anos, dois fatores acontecem com os óvulos e podem interferir na fertilidade feminina:
- redução da quantidade, visto que a reserva ovariana diminui progressivamente, com queda mais acentuada após os 35 anos;
- queda da qualidade das células reprodutivas. Os óvulos sofrem mudanças com o envelhecimento, o que pode aumentar os riscos de falhas na fertilização e formação de embriões frágeis e com alterações cromossômicas.
Esse processo de envelhecimento ovariano é natural, mas significa que a fertilidade feminina é limitada no tempo, e isso precisa ser levado em consideração no planejamento reprodutivo.
Qual é a relação dos óvulos com a fertilidade?
A relação é clara: é preciso que a mulher libere um óvulo para ser fertilizado por um espermatozoide e gerar um embrião. Sendo assim, a quantidade de óvulos disponíveis e a qualidade dessas células são fatores determinantes para a fertilidade feminina.
Mulheres mais jovens geralmente têm maior probabilidade de engravidar naturalmente, devido ao estado favorável da reserva ovariana e à boa qualidade oocitária. Com o avanço da idade, não apenas a ovulação pode se tornar menos frequente, como há um aumento nos riscos de infertilidade, abortamento espontâneo e formação de embriões com alterações genéticas.
Para ilustrar melhor:
- entre os 20 e 35 anos, a probabilidade média de engravidar em um ciclo é de 15% a 20%;
- após os 40 anos, essa taxa pode cair para menos de 5% ao mês, mesmo sem outros problemas de saúde.
Portanto, a disponibilidade e a qualidade dos óvulos são essenciais para a capacidade reprodutiva da mulher. Nesse sentido, o fator idade é determinante, sendo, portanto, um dos principais motivos pelos quais o congelamento de óvulos vem ganhando destaque.
Por que congelar óvulos?

O congelamento de óvulos, bem como de sêmen e embriões, é uma técnica da reprodução assistida que permite preservar a fertilidade para tentar engravidar no futuro, mesmo após os 40 anos.
O procedimento consiste em coletar os óvulos maduros, congelá-los em laboratório e armazená-los para uso posterior. Eles podem ficar armazenados por tempo indeterminado com boas taxas de recuperação e fertilização após o descongelamento.
As indicações para congelar óvulos incluem:
Preservação da fertilidade por motivos pessoais
Mulheres que desejam adiar a maternidade para se dedicar primeiramente a outros planos podem recorrer ao congelamento para guardar óvulos em idade mais jovem, enquanto eles ainda têm boa qualidade.
Os principais motivos para isso são priorização da vida profissional e acadêmica, busca por estabilidade financeira, projetos pessoais e consolidação de um relacionamento com um parceiro que também queira formar família.
Preservação da fertilidade por motivos médicos
Mulheres que vão passar por intervenções médicas que podem prejudicar a reserva ovariana e a função ovulatória, como quimioterapia ou radioterapia, podem congelar óvulos antes de iniciar o tratamento.
A indicação para congelar óvulos também é importante antes de procedimentos cirúrgicos nos ovários, como retirada de tumores e cistos de endometriose (endometriomas).
Como congelar os óvulos?
O congelamento de óvulos somente pode ser realizado no contexto da reprodução assistida, mais especificamente dentro do processo da fertilização in vitro (FIV). As etapas são:
- estimulação ovariana controlada com medicamentos hormonais para induzir o amadurecimento de múltiplos óvulos em um mesmo ciclo;
- monitoramento do processo pré-ovulatório com exames de ultrassonografia pélvica e dosagens hormonais;
- coleta dos óvulos por meio de punção;
- análise e congelamento dos óvulos por vitrificação, técnica de congelamento ultrarrápido que preserva a integridade celular;
- identificação e armazenamento dos óvulos em tanques de nitrogênio líquido.
Quando a mulher decidir utilizar esses óvulos, eles serão descongelados para dar sequência à FIV, passando por fertilização em laboratório, cultivo embrionário e transferência dos embriões para o útero.
A taxa de sucesso dependerá da idade em que a mulher realizou o procedimento para congelar os óvulos. Outros fatores importantes são a qualidade do embrião (que também depende da qualidade do espermatozoide) e a receptividade do útero.
Saiba mais com a leitura de outro texto sobre o congelamento de óvulos!






























