A adenomiose é uma doença uterina benigna, caracterizada por fragmentos de endométrio que invadem o miométrio. Para que você entenda melhor, é preciso conhecer a divisão histológica da parede uterina, que consiste em 3 camada e podemos relacionar com uma pera.
- a parte externa do útero é o perimétrio ou camada serosa (parte verde da pera);
- a parte intermediária é o miométrio, constituída por tecido muscular e responsável pelas contrações uterinas (polpa branca da pera);
- a camada mais interna é o endométrio, local do útero onde ocorre a implantação do embrião (onde fica a semente da pera).
Embora o endométrio e o miométrio sejam adjacentes e façam parte do mesmo órgão, são tecidos com estrutura e função distintas. Quando ocorre a invasão das células endometriais na camada miometrial, um processo inflamatório é desencadeado, provocando sintomas e alterações funcionais no útero.
A adenomiose pode ser classificada como difusa ou focal, dependendo de sua distribuição no miométrio. A doença difusa é definida pela presença de múltiplos focos de tecido endometrial ectópico, enquanto a focal apresenta nódulos isolados.
Neste artigo, você conhecerá os sintomas de adenomiose, os exames necessários para o diagnóstico e a relação dessa doença com a infertilidade feminina.
Quais são os sintomas de adenomiose?
É importante ter atenção aos sintomas para não retardar a busca por avaliação diagnóstica. Muitas doenças ginecológicas provocam sintomas semelhantes, portanto, precisam de uma avaliação mais precisa e com exames específicos.
Os sintomas mais comuns de adenomiose incluem:
- cólicas menstruais intensas;
- sangramento menstrual excessivo ou prolongado;
- sensação de pressão na região pélvica;
- distensão abdominal, devido ao aumento do volume uterino;
- dor durante as relações sexuais;
- fadiga e anemia, em alguns casos, decorrentes do excesso de sangramento.
Apesar de ser relativamente comum, a adenomiose ainda é pouco conhecida pelas mulheres — e muitas vezes é confundida com outras doenças femininas, sobretudo com a endometriose. Na verdade, as duas patologias têm semelhanças, mas são condições distintas. Em ambas, ocorre o crescimento de focos de endométrio fora de seu local normal, mas veja o que as difere:
- na adenomiose, o tecido endometrial invade a camada vizinha, ainda dentro do útero;
- na endometriose, o endométrio ectópico cresce em outros locais da pelve, incluindo ovários, tubas uterinas e até intestino.
A atenção aos sintomas da adenomiose é essencial, mas não é suficiente para fechar o diagnóstico. Por isso, ao perceber alterações, busque avaliação médica, que incluirá a observação clínica, a coleta de outras informações importantes e a solicitação dos exames apropriados.
Quais exames são feitos para chegar ao diagnóstico?
Classicamente, o diagnóstico de adenomiose era definitivamente fechado mediante os achados histológicos após histerectomia (cirurgia para retirada do útero). Entretanto, essa doença se tornou mais frequente em mulheres abaixo dos 40 anos e que ainda desejam ter filhos. Diante disso, e com o aprimoramento dos exames de imagem, temos a possibilidade de utilizar recursos diagnósticos que não demandam procedimentos invasivos e irreversíveis.
O diagnóstico da adenomiose envolve a análise dos sintomas e a realização de técnicas de imagem que permitem visualizar o útero com precisão. Os principais exames utilizados são a ultrassonografia pélvica e a ressonância magnética.
A ultrassonografia transvaginal é, geralmente, o primeiro exame solicitado quando há suspeita de alteração ginecológica. Com ele, é possível observar alterações na espessura da parede uterina, aumento do volume do útero e a presença de lesões características de adenomiose.
A ressonância nuclear magnética da pelve é considerada o exame mais preciso para o diagnóstico da adenomiose. Ela oferece imagens detalhadas da musculatura uterina, facilitando a identificação do tecido endometrial infiltrado.
Tenha em mente que o diagnóstico precoce pode evitar a progressão da doença, reduzir os sintomas e preservar a fertilidade quando há desejo de engravidar no futuro.
Essa doença tem relação com a infertilidade?

Os mecanismos envolvidos na associação entre adenomiose e infertilidade permanecem incertos, mas acredita-se que a doença tenha impactos nas funções uterinas e nas chances de gravidez.
A adenomiose parece modificar a arquitetura da parede uterina, levando à alteração dos mecanismos importantes para a implantação embrionária. A presença dos focos de endométrio no músculo uterino pode deixar o ambiente inflamatório, interferir na contratilidade do útero, na receptividade endometrial e na vascularização do órgão.
No entanto, é importante saber que nem todas as mulheres com diagnóstico de adenomiose terão dificuldades para engravidar ou complicações obstétricas. O impacto da doença varia de acordo com a gravidade das lesões, a idade da paciente e a presença de outras condições associadas.
O primeiro passo indicado para o casal que não consegue engravidar naturalmente é a avaliação especializada. Além do acompanhamento que a mulher já faz com seu ginecologista, o homem precisa ser avaliado. Nessa circunstância, o mais adequado é consultar um especialista em medicina reprodutiva que conversará com ambos e indicará todos os exames necessários para investigar a infertilidade conjugal.
Após a identificação de todos os fatores de infertilidade do casal — os quais podem ou não incluir a adenomiose —, um tratamento personalizado é delineado, podendo incluir desde procedimentos simples até técnicas avançadas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).
Para saber mais, leia agora outro texto sobre adenomiose!






























