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Endometriose e infertilidade feminina

A endometriose é uma doença crônica estrogênio dependente, responsável por boa parte dos casos de infertilidade feminina. Nela, a mulher passa a desenvolver focos de endométrio ectópico, ou seja, fora de seu local de origem: a cavidade uterina.

O endométrio é um tecido altamente vascularizado, composto por tipos celulares que respondem ativamente aos estímulos hormonais, especialmente dos estrogênios e da progesterona.

O endométrio ectópico é bastante semelhante ao original e, como ele, dispara processos de multiplicação celular quando estimulado pelos estrogênios, que cessam quando o tecido entra em contato com a progesterona.

Por isso dizemos que a endometriose é uma doença estrogênio-dependente, já que os focos endometrióticos são estimulados a crescer e se espalhar sob ação desse hormônio.

A ação estrogênica nos focos endometrióticos provoca também processos inflamatórios, justamente porque o tecido está fora de seu local de origem. Os principais sintomas da endometriose são resultado da inflamação:

  • Dismenorreia;
  • Sangramento uterino anormal;
  • Dispareunia;
  • Infertilidade;
  • Dor pélvica crônica.

O diagnóstico normalmente é feito com avaliação dos sintomas relatados pela mulher e confirmado por exames de imagem, como a ultrassonografia pélvica com preparo intestinal, e laboratoriais. 

Em algumas mulheres a endometriose pode ser assintomática, identificada somente quando há tentativas para engravidar. 

Acompanhe a leitura do texto a seguir e entenda melhor a relação entre infertilidade feminina e endometriose, conhecendo os tratamentos possíveis, inclusive com reprodução assistida.

O que é infertilidade feminina?

As dificuldades reprodutivas das mulheres podem ser resultado de alterações anatômicas, hormonais ou doenças adquiridas, que afetam principalmente as três estruturas centrais do sistema reprodutor feminino: útero, tubas uterinas e ovários. 

Infertilidade por fator uterino

O útero é uma estrutura formada por três tecidos, endométrio, miométrio e perimétrio, que participam direta ou indiretamente da gestação. A cavidade uterina é virtual, ou seja, apenas expande em caso de gravidez e é revestida pelo endométrio – camada interna uterina.

A endometriose pode comprometer a receptividade endometrial, como consequência principalmente do processo inflamatório, levando a quadros de falha na implantação e abortamento. 

Endometrite, inflamação do endométrio e adenomiose, invasão do miométrio pelo endométrio, também podem provocar infertilidade por fator uterino por alterar a composição do endométrio e aumentar os riscos de falhas na implantação e perdas gestacionais.

Infertilidade por fator tubário

As tubas uterinas são estruturas tubulares, que conectam o útero aos ovários, bilateralmente. Por elas passam os óvulos liberados após a ovulação e os espermatozoides, que encontram o gameta feminino e realizam a fecundação também nessas estruturas.

Após a fecundação, o peristaltismo tubário auxilia o embrião na saída das tubas para o útero, onde deve encontrar o local mais adequado para implantar.

A endometriose tubária normalmente provoca obstrução como consequência das aderências, impedindo o trânsito de gametas e, assim, a fecundação. 

Em alguns casos, a fecundação pode ocorrer, mas o embrião encontra dificuldades para chegar ao útero e pode ter uma gestação ectópica, que resulta em perda gestacional e pode levar a complicações maiores.

Infertilidade por fator ovariano

A cada ciclo reprodutivo, sob ação dos hormônios sexuais, os folículos ovarianos, que contém o óvulo imaturo, produzidos em sua totalidade durante o período embrionário, são recrutados. Um deles se torna dominante e completa o amadurecimento, preparando-se para uma possível fecundação.

Na endometriose ovariana, em que há a formação de endometriomas, eles podem danificar a reserva ovariana ou interferir no processo de desenvolvimento e amadurecimento folicular, resultando em anovulação ou ausência de ovulação. Assim como as aderências podem inibir a liberação do óvulo durante os ciclos menstruais.

Como a endometriose pode provocar infertilidade feminina?

Embora a endometriose seja considerada um dos principais fatores de infertilidade feminina, algumas formas da doença oferecem mais riscos à função reprodutiva das mulheres: endometriose tubária e os endometriomas.

Na endometriose tubária, os focos endometrióticos se desenvolvem no interior das tubas ou ao seu redor, provocando processos inflamatórios locais, que em ambos os casos resultam na obstrução das tubas. As obstruções podem ser ainda consequência dos próprios focos endometrióticos, quando localizados no lumen tubário.

No caso da endometriose ovariana, os focos endometrióticos se desenvolvem aderidos ao córtex dos ovários, onde se encontram os folículos ovarianos, formando cápsulas que contém sangue, chamados endometriomas.

Assim como as demais formas da endometriose, os endometriomas crescem com estímulo dos estrogênios, cujas alterações nos níveis comprometem a dinâmica hormonal, provocando anovulação.

A endometriose ovariana é progressiva e o aumento nas dimensões dos endometriomas pode provocar danos aos folículos imaturos, afetando diretamente a reserva ovariana de forma irreversível.

Tratamentos para endometriose e infertilidade feminina

O controle dos sintomas da endometriose pode ser feito com o auxílio de anti-inflamatórios, para alívio da dor e por medicação hormonal, especialmente contraceptivos orais, para regulação do fluxo e da frequência menstrual. 

Nos casos mais severos, no entanto, pode ser necessária a retirada cirúrgica dos focos endometrióticos, realizada normalmente por videolaparoscopia.

Contudo, para as mulheres com infertilidade decorrente da endometriose e que desejam engravidar, a indicação direta para o tratamento com reprodução assistida é frequente, principalmente porque a medicação hormonal é contraceptiva, além de as tubas uterinas e ovários serem estruturas delicadas, que podem ser danificadas na intervenção cirúrgica.

Reprodução assistida

Entre as técnicas de reprodução assistida disponíveis atualmente, a IA (inseminação artificial) e a FIV (fertilização in vitro) são as mais adequadas para infertilidade por endometriose, embora as indicações dependam da gravidade de cada caso.

A IA é uma boa opção para os casos mais leves de endometriomas, em que a mulher tem ciclos anovulatórios, mas a função dos ovários ainda não está comprometida, embora seja inadequada para os casos de endometriose tubária, já que na técnica a fecundação acontece naturalmente, nas tubas.

A técnica mais complexa é a FIV, e seus procedimentos permitem realizar a fecundação fora das tubas uterinas, em ambiente laboratorial, com óvulos obtidos após a estimulação ovariana, contornando, assim, as obstruções provocadas pela endometriose tubária.

Quer saber mais sobre endometriose? Toque o link e leia outro texto!

 

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