Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.

Qual a relação entre trombofilia e FIV?

Se você mantém relações sexuais regulares sem usar nenhum método anticoncepcional há pelo menos 12 meses e ainda não conseguiu engravidar, a sua situação pode ser considerada um caso de infertilidade. Isso é relativamente comum, afetando de 10% a 15% dos casais, e as causas podem ser as mais diversas.

A infertilidade feminina, por exemplo, pode ser resultado de várias doenças, entre elas a síndrome dos ovários policísticos (SOP), a endometriose e a trombofilia. Esta última favorece o desenvolvimento da trombose, caracterizada pela formação de coágulos na circulação sanguínea.

Mulheres com trombofilia podem ter dificuldades para engravidar e, quando conseguem, estão sujeitas a maior risco de doenças durante a gestação. Uma alternativa para as pacientes com dificuldades em conceber é a FIV (fertilização in vitro).

Neste texto, vou falar sobre a relação entre trombofilia e FIV, como a doença pode ser tratada para evitar complicações durante o tratamento de reprodução assistida e ao longo da gestação.

O que é trombofilia e por que ela causa infertilidade feminina

A trombofilia pode ser entendida como uma tendência ao desenvolvimento da trombose. Ela consiste em alterações no processo de coagulação do sangue e pode ser causada por fatores genéticos ou adquiridos ao longo da vida:

  • Os fatores hereditários estão relacionados a alterações nos genes que influenciam na atividade dos anticoagulantes naturais e de outros fatores de coagulação;
  • Já os casos de trombofilia adquirida são secundários a uma doença autoimune, que pode se manifestar ao longo da vida, especialmente em situações de estresse emocional;
  • Entre as possíveis explicações para a trombofilia interferir negativamente na fertilidade está a falha na implantação embrionária; ou seja, quando o embrião se fixa no útero. Acredita-se que as alterações no sangue causadas pela doença levariam à formação de coágulos no local da implantação, comprometendo esse processo.

Já durante a gravidez, mulheres com trombofilia podem ter complicações, como pré-eclâmpsia, descolamento de placenta, baixo crescimento do feto, parto prematuro e sofrimento fetal crônico, além de abortamento e casos de natimortos. É comum ainda que pacientes com a doença tenham histórico de repetidas perdas de gestação.

É importante ressaltar, no entanto, que nem todas as gestantes com trombofilia desenvolverão a trombose, porém é necessário tratar e acompanhar clinicamente para evitar complicações.

Pacientes com histórico familiar de trombofilia e trombose, infarto ou derrame em familiares com até 50 anos de idade são consideradas grupo de risco e, portanto, devem realizar exames específicos para investigar a trombofilia. O mesmo é válido para mulheres que apresentam histórico de abortos recorrentes no primeiro trimestre da gestação, perda do bebê no segundo trimestre de gravidez, pré-eclâmpsia grave ou descolamento de placenta.

A fertilização in vitro como alternativa

Uma das alternativas para pacientes com trombofilia que tenham o desejo de engravidar é a FIV, considerada a técnica de reprodução humana mais complexa existente na atualidade. O início do tratamento é feito com a estimulação ovariana, para que a mulher produza um número maior de folículos, não apenas um, como ocorre normalmente nos ciclos menstruais.

O crescimento dos folículos é monitorado por ultrassonografia seriada. No momento adequado, é realizada a punção ovariana para a retirada dos óvulos contidos nos folículos. No mesmo dia, é feita a coleta de sêmen. A partir desse material, a fecundação é conduzida em laboratório, onde os embriões passarão também por um período de amadurecimento de três a cinco dias.

Posteriormente, os embriões resultantes – em número que pode variar de acordo com a idade da mulher e a estratégia clínica – são colocados no útero, procedimento denominado transferência embrionária. A FIV envolve o uso de tecnologia de ponta e a atuação de profissionais altamente especializados.

Trombofilia e FIV

O sucesso de uma FIV depende, em grande parte, da implantação do embrião. Esse êxito está relacionado a dois fatores fundamentais: a qualidade do embrião e a receptividade do endométrio.

Existe relação entre trombofilia e repetidos procedimentos de FIV com falha de implantação, que pode ser contornada com o tratamento adequado.

A investigação clínica de trombofilia precedendo o tratamento de falha de implantação é fundamental. Se for confirmado o diagnóstico de trombofilia e indicada a FIV, a paciente pode ser tratada a fim de melhorar as chances de sucesso na tentativa de gravidez.

No entanto, independentemente do tipo de técnica de reprodução assistida escolhido, ou mesmo do desejo de engravidar, pacientes com trombofilia devem ter tratamento e acompanhamento adequados, como forma de prevenir a formação de coágulos.

Durante a gestação, o risco de desenvolver trombose é ainda maior, porém é possível evitar complicações com o tratamento correto. A terapia indicada é a utilização de medicamentos anticoagulantes, que regulam a função de coagulação do sangue. Esse tratamento deve ser continuado após o parto, quando as chances de trombose são ainda maiores que durante a gravidez.

Se você se interessou pelo tema e quer saber mais, leia os textos sobre trombofilia e FIV. Lá você encontrará mais informações para tirar todas as suas dúvidas.

Veja também:
Endometriose: saiba quais são os sintomas e quando procurar um médico

Entenda o que é endometriose e por que ela pode causar infertilidade feminina.

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