Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.

Como é realizada a inseminação artificial (IA) ou intrauterina (IIU)?

Indivíduos com dificuldade para obter a gravidez podem realizar os tratamentos de reprodução assistida. A infertilidade afeta homens e mulheres no mundo todo. Os percentuais são tão altos que tornaram o problema reconhecido como uma questão de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

As técnicas de reprodução assistida são consideradas o tratamento padrão para infertilidade, feminina e masculina. As três principais são a relação sexual programada (RSP) e a inseminação artificial (IA), consideradas de baixa complexidade e a FIV (fertilização in vitro), de alta complexidade.

Neste texto vou abordar sobre o funcionamento da IA (inseminação artificial), também chamada inseminação intrauterina (IIU), explicando todas as etapas e indicações do tratamento. Continue a leitura e saiba mais.

O que é inseminação artificial ou intrauterina?

A IA ou IIU é uma das técnicas consideradas de baixa complexidade pois prevê a transferência dos espermatozoides diretamente ao útero para que a fecundação ocorra naturalmente, nas tubas uterinas. O processo é conhecido na reprodução assistida como fecundação in vivo.

A técnica foi investigada pela primeira vez ainda no século 18, como alternativa para solucionar problemas de infertilidade masculina causados por alterações na função sexual, incluindo dificuldades de ereção.

Posteriormente, com os avanços da reprodução assistida, foi incorporada aos tratamentos e se tornou uma das opções para solucionar a infertilidade feminina provocada por fatores de menor gravidade, aumentando as chances de obter uma gravidez.

Entenda como a IA ou IIU é realizada

A inseminação artificial é realizada em 4 diferentes etapas: estimulação ovariana, indução da ovulação, coleta do sêmen – preparo seminal e inseminação.

A estimulação ovariana é um procedimento que utiliza medicamentos hormonais para incentivar o desenvolvimento de um maior número de folículos, que contêm os óvulos. O ciclo é minimamente estimulado, ou seja, são utilizadas baixas doses hormonais, administradas de acordo com as características da paciente, com o propósito de obter no máximo 3 óvulos.

Para acompanhar o desenvolvimento dos folículos são realizados exames de ultrassonografia. Os dados ultrassonográficos indicam o momento ideal para induzi-los ao amadurecimento final e ovulação, também por medicamentos hormonais. A ovulação ocorre cerca de 36 horas após a administração da medicação com esta finalidade.

O sêmen do parceiro é, ao mesmo tempo, coletado e as amostras submetidas ao preparo seminal, técnica de processamento com a finalidade de selecionar os espermatozoides com melhor motilidade e mais capacitados para a fecundação.

A última etapa é a inseminação. O procedimento acontece durante o período previsto para a ovulação e realizado na clínica de reprodução assistida ou consultório médico. Com a paciente em posição ginecológica, os espermatozoides selecionados pelo preparo seminal são inseridos em um cateter e depositados no útero. Esse procedimento é guiado por ultrassonografia abdominal.

Após 14 dias, é possível confirmar se a concepção foi bem-sucedida, quando o hormônio hCG, indicativo de gravidez, está presente na urina ou no sangue.

Quando a IA ou IIU é indicada?

A inseminação artificial é indicada particularmente para mulheres com até 35 anos que tenham problemas na ovulação, uma causa bastante comum de infertilidade feminina.

Anormalidades na ovulação normalmente resultam de desequilíbrios hormonais, sinalizados por irregularidades menstruais como ciclos longos e períodos com variações ou ausência de fluxo. Têm como característica dificuldades para o desenvolvimento de folículos e falhas na liberação do óvulo.

Embora seja particularmente recomendada para distúrbios de ovulação, a técnica proporciona ainda o tratamento de mulheres com endometriose nos estágios iniciais ou quando há cicatrizes no colo uterino dificultando a passagem dos gametas masculinos e diagnóstico de infertilidade sem causa aparente (ISCA).

Porém, como a fecundação acontece de forma natural, as tubas uterinas também devem ser saudáveis.

Os espermatozoides, por outro lado, podem ter pequenas alterações, uma vez que os mais capacitados para a fecundação são selecionados pelo preparo seminal, além das dificuldades na função sexual que motivaram a investigação inicial da técnica, entre elas, dificuldades de manter ou ter uma ereção (disfunção erétil), ejaculação precoce ou em pequeno volume.

No Brasil, desde 2013 a IA assim como as outras técnicas, pode ser utilizada por casais homoafetivos. Nesse caso, é uma das opções de tratamento para os casais femininos, pois o tratamento também pode ser feito com a utilização de espermatozoides doados.

Os doadores são selecionados em bancos de esperma, com características biológicas definidas pela paciente.

Quais são as taxas de sucesso proporcionadas pela IA ou IIU?

Em um processo natural a cada ciclo menstrual as chances de engravidar são de 15% a 18%. Na IA ou IIU, os percentuais são semelhantes e podem variar entre 20% e 25% a cada ciclo de realização do tratamento.

O procedimento pode ser repetido por até três ciclos consecutivos. Caso não tenha sucesso, a FIV deve ser o tratamento indicado.

Apesar da maior complexidade, é a técnica de reprodução assistida que possui os percentuais mais altos de sucesso por ciclo de realização, até 50%, de acordo com a idade da mulher e o método de fecundação utilizado (FIV ou FIV com ICSI, injeção intracitoplasmática de espermatozoides).

Conheça o nosso conteúdo institucional para saber mais sobre a inseminação artificial.

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