Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.

Transplante uterino: o que é?

O útero é um órgão fundamental no sistema reprodutor feminino. Uma de suas principais funções é receber o embrião e abrigá-lo ao longo da gestação, oferendo boas condições para que o bebê se desenvolva. Entretanto, em casos raros, algumas mulheres não têm essa parte do corpo e para engravidar precisam recorrer a certos procedimentos médicos, como o transplante uterino.

Essa é uma técnica ainda pouco realizada e continua sendo objeto de estudos científicos. Neste post, vamos apresentar informações sobre o assunto, como: o que é o transplante de útero, quando é indicado e quais as alternativas para a paciente com infertilidade por fator uterino. Acompanhe!

O que é transplante uterino?

O transplante uterino é uma técnica cirúrgica, ainda em fase experimental, que tem o objetivo de colocar o útero de uma doadora — viva ou pós-morte — em uma receptora com infertilidade causada por fator uterino absoluto.

Segundo notas da Febrasgo – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, o fator uterino de infertilidade acomete 1 mulher a cada 500 em idade fértil. Os casos incluem:

  • malformações e disfunções no órgão, que não podem ser corrigidas com cirurgia;
  • pacientes que passaram por histerectomia radical ­— remoção total do útero;
  • ausência congênita do órgão.

Ainda de acordo com a Febrasgo, cerca de 40% das mulheres que passaram por cirurgia de remoção do útero tem idade inferior a 44 anos, o que indica que boa parte delas ainda pode ter o objetivo de ter filhos. Problemas como miomas, câncer de colo do útero, dor pélvica crônica e menstruação excessiva estão entre as principais doenças que levam à histerectomia total.

Saber se o útero poderia, de fato, ser transplantado era uma pergunta que até há pouco tempo despertava dúvidas. Agora, o transplante uterino já é uma realidade. Contudo, trata-se de um procedimento que levanta discussões, tanto na comunidade médica quanto em relação aos aspectos legais do processo, e que ainda só pode ser realizado sob protocolos de pesquisa científica e com aprovação de comitês de ética.

Recentemente, o Brasil foi palco de um marco na história da medicina. Tivemos o primeiro bebê do mundo nascido vivo, após transplante feito com útero de doadora falecida. O caso ganhou repercussão internacional e foi publicado na revista científica The Lancet.

Apesar do êxito no resultado, profissionais da área alertam para a necessidade de prosseguir com as pesquisas para que a técnica seja realizada com o mínimo de riscos para as pacientes.

Como essa técnica é realizada?

A técnica é semelhante aos demais procedimentos realizados para transplante de órgãos e consiste em dois momentos cirúrgicos: a remoção do órgão de doador compatível e o implante no corpo do receptor. O prazo entre as duas ações é chamado de tempo de isquemia e a expiração desse período também é um fator que compromete os resultados da cirurgia.

Uma característica única dentre os transplantes de órgãos é que o útero doado permanece no corpo da receptora apenas por um período temporário. Assim que a paciente tem o bebê, o útero é retirado no momento do parto. Isso é feito para reduzir os efeitos dos medicamentos imunossupressores, utilizados para evitar a rejeição da parte transplantada.

Especialistas afirmam que o transplante de útero é apenas uma etapa do procedimento como um todo. A preparação começa um bom tempo antes da cirurgia, quando a receptora é avaliada para constatar se outras complicações clínicas poderão prejudicar o processo.

Após a avaliação das condições de saúde da paciente, os primeiros passos do procedimento incluem a indução à ovulação e o congelamento de embriões em bom estado, os quais serão transferidos após o transplante.

Com o útero transplantado, a paciente ainda passa por preparo uterino para receber o embrião, por meio de tratamento hormonal. Essas etapas fazem parte da FIV (fertilização in vitro) — tratamento indicado para mulheres que realizam o transplante de útero.

Em quais casos o transplante é indicado?

O objetivo do transplante uterino é aumentar as possibilidades de que mulheres com infertilidade consigam engravidar. Contudo, a técnica ainda é indicada em poucos casos, sobretudo para pacientes que não têm o útero, seja por ausência congênita, seja por retirada cirúrgica anterior.

Entre as alternativas recomendadas para o tratamento de infertilidade feminina por fator uterino estão o útero de substituição e a adoção. Portanto, cada caso deve ser avaliado individualmente, observando as condições gerais de saúde da paciente, bem como suas expectativas de gestação. Isso porque as opções mencionadas não possibilitam a experiência de gerar uma criança dentro do próprio corpo, o que é uma questão importante para algumas mulheres.

Quais são as chances de gravidez?

Por se tratar de uma técnica que passa por estudos experimentais, indicar um percentual de gestações bem-sucedidas a partir de transplante uterino ainda seria um apontamento impreciso. O que podemos afirmar é que pacientes que se submetem à FIV têm até 40% de chances de engravidar, dependendo de alguns fatores, como qualidade dos espermatozoides e idade da mulher.

Transplante uterino ou cessão temporária de útero?

Como dissemos, essa decisão depende de uma série de fatores, como saúde geral da paciente, outras condições de infertilidade associadas, expectativa da futura mãe, entre outros pontos. Não é possível apontar, com tom generalista, qual das duas alternativas de tratamento é a melhor.

De um lado, o transplante uterino possibilita a experiência da gestação, mas exige uma série de etapas — tanto no atendimento aos critérios médico-legais quanto no preparo da paciente e no acompanhamento posterior à cirurgia. Já o útero de substituição é uma opção viável e devidamente orientada pela resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Em ambas as situações, a paciente precisa da orientação de especialistas em reprodução assistida. Diante dos esclarecimentos médicos, a mulher poderá decidir, com mais segurança, se o transplante uterino é indicado para o seu caso ou se ela deve recorrer à outra forma de tratamento.

Para dar continuidade à sua leitura, acesse nosso texto explicativo sobre cessão temporária de útero e conheça mais sobre essa técnica.

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