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Reprodução Humana

Reserva ovariana: veja o que é

A infertilidade feminina deve-se principalmente a alterações que incidem sobre a dinâmica hormonal do processo reprodutivo, mas também sobre a integridade anatômica de todas as estruturas envolvidas, embora mesmo as mulheres mais saudáveis apresentem um declínio natural da fertilidade devido à redução da reserva ovariana.

Acompanhe a leitura do texto a seguir e entenda melhor o que é a reserva ovariana e como a observação deste estoque limitado pode funcionar como medida para avaliação da fertilidade das mulheres.

O que é reserva ovariana?

Reserva ovariana é como denominamos o estoque limitado de células reprodutivas que uma mulher possui, em um determinado momento de sua vida, armazenadas nos ovários e presentes nessa estrutura desde o período pré-natal.

O fato de esse estoque ser limitado está diretamente conectado ao processo de formação dos folículos ovarianos e dos oócitos durante o período pré-natal.

Para que esse processo seja bem compreendido, é importante diferenciar folículos ovarianos dos próprios oócitos: enquanto os folículos são estruturas multicelulares, que contêm em seu interior um único oócito e funcionam como envoltório para esta célula, os oócitos são as células reprodutivas propriamente ditas e que ficam dentro dos folículos.

Diferentemente do que acontece com a função reprodutiva masculina, em que os espermatozoides são formados ininterruptamente, todos os folículos e oócitos disponíveis ao longo da vida da mulher são formados durante o desenvolvimento embrionário.

Contudo, durante o período pré-natal, essas células se desenvolvem apenas até um determinado estágio, permanecendo estacionadas nessa fase até que as alterações hormonais típicas da puberdade provocam a retomada desse processo de desenvolvimento, a partir da menarca (a primeira menstruação).

A principal mudança hormonal que a puberdade traz está relacionada com a forma de secreção dos hormônios hipotalâmicos – GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) – e hipofisários – LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo-estimulante) – envolvidos no ciclo reprodutivo, que deixa de ser contínua, tornando-se pulsátil e configurando a forma cíclica da função reprodutiva feminina.

A cada ciclo reprodutivo, a dinâmica dos hormônios sexuais promove o recrutamento de aproximadamente 1000 folículos, e destes apenas um consegue atingir o estágio de amadurecimento necessário para liberar o oócito contido em seu interior, na ovulação.

Dessa forma, a própria atividade ovulatória faz com que a reserva ovariana seja gradualmente consumida a cada ciclo reprodutivo, provocando uma diminuição acumulativa que pode ser mais claramente sentida com a proximidade da menopausa.

Qual a relação entre a quantidade e a qualidade dos óvulos?

O termo reserva ovariana refere-se somente à quantidade de células reprodutivas armazenadas nos ovários, em um determinado momento da vida da mulher, embora a qualidade dessas células também diminua ao longo do tempo.

A qualidade das células reprodutivas femininas é expressa principalmente pela estabilidade genética destas células, que também sofrem uma redução com a proximidade da menopausa.

O que é avaliação da reserva ovariana?

Uma das formas de analisar a fertilidade das mulheres é avaliar a reserva ovariana, realizada a partir de um conjunto de procedimentos, cujo objetivo é mensurar a quantidade de células reprodutivas armazenadas nos ovários de uma mulher, em um determinado momento de sua vida.

Importante lembrar que a qualidade e a estabilidade genética dos oócitos não podem ser aferidas pelos procedimentos de avaliação da reserva ovariana, destinado somente para a contagem numérica dessas células.

Atualmente, a avaliação da reserva ovariana é feita a partir de dois procedimentos principais: a contagem amostral de folículos antrais e a dosagem do hormônio antimülleriano.

A contagem de folículos antrais é realizada pela técnica de amostragem, a partir de imagens dos ovários obtidas por ultrassonografia transvaginal.

Nesta técnica, são realizadas a contagem dos folículos ovarianos visíveis ao ultrassom transvaginal e a somatória de ambos os ovários. Quando o número de folículos é igual ou superior a 10, considera-se como ótimo o resultado.

O exame de dosagem do hormônio antimülleriano é também bastante importante, especialmente para complementar os resultados obtidos pela contagem de folículos antrais.

O hormônio antimülleriano (HAM) é produzido em quantidades baixas pelas células dos folículos primordiais, nas mulheres pós-puberdade e está relacionado com o controle do recrutamento folicular, realizado pela ação do FSH (hormônio folículo-estimulante).

A quantidade de folículos antrais, portanto, também pode ser mensurada a partir da dosagem do HAM, que se encontra menor quanto menor é a reserva ovariana da mulher.

Avaliação da reserva ovariana é importante para a reprodução assistida?

Os estudos que relacionam a reserva ovariana com estados de fertilidade e infertilidade femininas mostram que a passagem do tempo diminui tanto a reserva quanto o potencial reprodutivo das mulheres.

Assim, as mulheres a partir dos 35 anos passam a ser naturalmente menos férteis do que as mulheres mais jovens. Ainda que este processo seja natural, a avaliação da reserva ovariana é importante também na tomada de decisão pelo tratamento da infertilidade feminina, buscando as técnicas de reprodução assistida mais adequadas.

Entre as principais técnicas disponíveis hoje, a FIV (fertilização in vitro) é o procedimento mais indicado para que mulheres com idade avançada possam realizar o sonho de ser mães.

O motivo central dessa indicação reside no fato de que essa técnica permite não somente uma estimulação ovariana mais robusta, mas também a coleta e, principalmente, a seleção dos gametas mais aptos para uma fecundação possivelmente mais bem-sucedida.

Toque no link e compreenda melhor como é feita a avaliação da reserva ovariana!

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