Dra. Adriana de Góes | Reprodução Humana SP Menu.

Quais são os sintomas de trombofilia?

Mulheres que apresentam dificuldade para engravidar, após um determinado período de tentativas, devem procurar acompanhamento médico para identificar possíveis quadros de infertilidade. A trombofilia, por exemplo, é uma das condições que podem afetar a saúde reprodutiva feminina — seja impossibilitando a concepção, seja causando abortos de repetição — além de apresentar outros problemas durante a gravidez.

Para trazer informações importantes sobre o assunto, preparamos este post. Continue a leitura e entenda o que é trombofilia, quais os sintomas e complicações e quais os cuidados necessários para prevenir e tratar a doença. Veja, também, de que forma esse problema afeta a fertilidade feminina e quais especialistas podem ajudar.

O que é trombofilia?

A trombofilia é a tendência ao surgimento de trombose — doença caracterizada pela formação de trombos, ou coágulos de sangue. O problema é causado por deficiência na ação das enzimas responsáveis pela coagulação sanguínea. O quadro pode se desenvolver por hereditariedade ou surgir como condição adquirida.

No caso da trombofilia hereditária, o indivíduo já nasce com predisposição para o surgimento dos trombos. Contudo, o risco de trombose aumenta quando a genética é associada a situações como gestação, idade avançada e outros fatores de risco.

A trombofilia adquirida, por sua vez, é caracterizada pela produção de anticorpos contra o próprio organismo. As seguintes condições se apresentam como possíveis fatores desencadeantes:

  • doenças oncológicas;
  • terapias de reposição hormonal;
  • uso de anticoncepcionais orais por longos períodos;
  • excesso de peso;
  • gravidez e puerpério;
  • imobilização após cirurgia.

Quais são os sintomas?

Diante da ocorrência de eventos trombóticos, como a trombose venosa profunda, os principais sintomas apresentados são:

  • inchaço nas regiões afetadas pelos coágulos — problema que afeta os membros inferiores com maior frequência;
  • aumento da temperatura no local do trombo;
  • dor constante no membro afetado — tanto em movimento, quanto em repouso;
  • diferença na cor da pele (tom azulado), na região onde se formou o trombo.

Mesmo sem a manifestação de trombose, o indivíduo portador de trombofilia deve acompanhar suas condições de saúde, sobretudo durante a gravidez. Isso porque essa é uma das doenças associadas a dificuldades obstétricas, tais como infertilidade, abortos recorrentes, prejuízos no desenvolvimento fetal, pré-eclâmpsia e prematuridade.

O que a trombofilia pode causar?

Além dos sintomas e problemas obstétricos citados acima, a trombofilia, quando não acompanhada, pode levar a outros quadros de alto risco. A doença tende a causar obstrução de veias e artérias, provocando situações fatais, como acidente vascular cerebral (AVC) e embolia pulmonar.

Para as mulheres que desejam engravidar, o quadro merece atenção redobrada. A obstrução de vasos endometriais, por exemplo, reduz as chances de implantação embrionária, levando aos abortamentos ou falhas de implantação em ciclos de FIV (fertilização in vitro).

Mesmo quando o óvulo fecundado consegue se fixar na parede uterina, há o risco de restrição de crescimento fetal. Isso ocorre porque a oclusão dos vasos, responsáveis pela formação da placenta, dificulta a passagem do sangue e, com isso, o embrião recebe menos nutrientes do que deveria.

Quais são os cuidados necessários?

 

Pacientes com diagnóstico de trombofilia — em especial, mulheres que querem iniciar uma gestação — precisam aliar o acompanhamento médico a mudanças no estilo de vida. Obesidade, sedentarismo e tabagismo são exemplos de fatores que contribuem para o surgimento da trombose.

Na gravidez, o médico deve realizar uma investigação clínica minuciosa, juntamente com uma bateria de exames laboratoriais, para descobrir se a paciente tem o risco aumentado de desenvolver trombose. Uma das recomendações preventivas é o uso de meias elásticas de média compressão, para estimular a circulação sanguínea e evitar a formação dos trombos.

Em algumas situações, pode ser necessária a intervenção farmacológica. Os medicamentos anticoagulantes restabelecem a coagulação sanguínea adequada e ajudam a evitar a trombose. A prescrição é feita de acordo com as características de cada quadro.

De que forma a reprodução assistida pode ajudar?

Casos mais graves de trombofilia também podem afetar o resultado de tratamentos avançados, como a FIV. Nessas ocasiões, pode ser necessária uma intervenção pontual.

A FIV segue etapas definidas até chegar ao momento da transferência embrionária para o útero da futura mãe. Dessa forma, é possível administrar os medicamentos no momento certo e controlar a coagulação sanguínea da paciente. Os anticoagulantes são aplicados, normalmente, dois dias antes da transferência embrionária, favorecendo a implantação do embrião.

Com a confirmação da gestação, o tratamento farmacológico é ajustado para a gravidez e mantido até 24 horas antes do parto. Após o parto, a administração dos anticoagulantes é reiniciada, visto que o risco de desenvolver trombose aumenta durante o puerpério — período que sucede o nascimento do bebê.

Quando é preciso procurar um médico e de qual especialidade?

Os eventos trombóticos podem se apresentar de várias formas, desde manifestações moderadas até quadros bem graves. Em todos os casos, e diante dos primeiros sinais da doença, é necessário procurar um médico hematologista que fará a devida avaliação clínica, assim como a solicitação de exames e a prescrição do tratamento.

Nos casos em que a trombose afeta a região cerebral, também pode ser preciso consultar um neurologista ou até um oftalmologista. Portanto, cada situação requer avaliação individualizada.

Para as pacientes gestantes, ou que estão na tentativa de engravidar, os obstetras fornecem o respaldo inicial para a identificação da doença. Contudo, dependendo dos riscos apresentados, o ideal é fazer o acompanhamento multidisciplinar.

Vale acentuar que nem todas as mulheres com trombofilia chegarão a apresentar trombose durante a gravidez. Ainda assim, a condição deve ser acompanhada de perto para prevenir intercorrências obstétricas.

Agora, leia mais um texto que preparamos sobre o tema que acabamos de abordar e obtenha mais informações sobre a trombofilia!

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